Câmara quer Exército para combater violência em Londrina
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quinta-feira, 19 de abril de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Parte dos vereadores de Londrina encontrou ontem uma saída para amenizar a sensação de insegurança do cidadão e a onda de violência que assusta as cinco regiões da cidade: a solução seria colocar tropas do Exército nas ruas para dar apoio às polícias civil e militar. Durante boa parte da tarde, nos bastidores da Câmara, era dada como certa a não aprovação da proposta assinada por sete vereadores. Quando foi a votação no início da noite, porém, o requerimento foi aprovado com sete votos favoráveis e cinco contrários. Dois edis se abstiveram, e quatro - entre os quais, dois autores - estavam ausentes do Plenário na ocasião.
O requerimento encabeçado pelo vereador Marcos Defreitas (sem partido) e assinado também por Paulo Arildo, Roberto Kanashiro (ambos do PSDB, mas este último, ausente da votação), Roberto Fu (PDT), Renato Lemes (do PRB, também ausente), Henrique Barros (PMDB) e Flávio Vedoato (PSC), obteve os votos também de Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) e Marcelo Belinati (PP).
O documento deve seguir hoje para o destinatários - ''Ministro de Estado do Exército Brasileiro, com cópia ao Comandante do Batalhão do Exército de Apucarana''. Na descrição, é pedido o envio de tropas a Londrina para ''esforços e providências cabíveis, a exemplo do que aconteceu na cidade do Rio de Janeiro''. Na capital carioca, já foram duas solicitações do governador Sérgio Cabral (PMDB) ao Governo Federal frente ao tráfico de drogas.
Ontem, no debate que antecedeu a aprovação, parte dos vereadores se mostrou apreensiva com a repercussão que isso poderia trazer junto à opinião pública. ''Creio que deveríamos antes esgotar as cobranças ao Estado, bem como cobrar um posicionamento mais contudente do prefeito Nedson Micheleti (PT), antes de agir assim: ele precisa ser mais incisivo'', defendeu o presidente da Casa, Sidney de Souza (PTB).
Para o decano Renato Araújo (PP) - ausente à votação nominal -, a medida é ''desgastante'' à imagem dos vereadores. ''Isso fere a hierarquia: temos que cobrar Governo e Prefeitura, primeiro, e se for preciso, até convocar o prefeito a vir à Câmara para dizer o que, de fato, ele tem cobrado do governo pela segurança'', sugeriu.
Para Bonilha, o requerimento ''expõe a Câmara e passa por cima dos outros poderes''. ''A Comissão de Segurança nossa tinha é que chamar o prefeito para falar - afinal, é ele o chefe da cidade, precisa ser mais firme nessa questão'', ponderou. ''Primeiro é chamar o secretariado dele para nos fornecer números. Se for preciso, chamamos o prefeito'', devolveu o presidente da comissão, Jamil Janene (PL).
A assessoria de Nedson foi taxativa: ''O prefeito não se posiciona, ele age - nas parcerias com a PM''. Se estaria disposto a ir à Câmara, contudo, não houve resposta. Para o vereador Marcos Defreitas, entretanto, isso nem é preciso: ''Ele já está investindo em Educação e Assistência Social, e, além do mais, Segurança nem é prerrogativa constitucional dele'', declarou.


