Ainda que oficialmente os defensores da proposta não admitam, o episódio do fechamento da Câmara de Vereadores de Londrina a parte da imprensa, semana passada, após o desmaio do vereador Paulo Arildo (PSDB) em plenário parece ter criado a situação ideal para uma discussão que parece estar ganhando corpo na Casa: a volta das sessões ordinárias noturnas, a exemplo do que já aconteceu entre 198 e 1984. A proposta, defendida a princípio pelo petista Jacks Dias, precisa de sete assinaturas para se tornar um projeto de resolução e de 10 para ser aprovada e virar resolução - com isso, o atual horário das 14 horas mudaria para as 18 horas.
A FOLHA apurou, no entanto, que já na semana passada, durante uma ''votação informal'' no gabinete da Presidência, a proposta do novo horário teria sido preliminarmente aceita por 14 votos a três, mais uma abstenção. Ontem, em plenário, as opiniões estavam divididas.
Questionado sobre a reunião secreta, Roberto Fu (PDT) foi uns dos poucos a admitir a discussão que ocorrera fora do plenário. Para o pedetista, que se diz contrário à medida, isso soaria como uma ''represália'' às críticas que parte dos vereadores fizeram, por exemplo, a uma emissora de TV que tentou captar imagens de Arildo no momento em que ele passou mal. ''Além do mais, diferentemente do que se alega, não acredito que o trabalhador venha para a Câmara assistir sessão à noite - ele quer descansar e ficar com a família'', defendeu Fu.
Jacks, por sua vez, divergiu: aliadas a um pacote de medidas que englobam, por exemplo, o encurtamento do tempo de microfone de cada vereador, as sessões noturnas ''trarão economia ao Legislativo''. Sobre a votação informal, resumiu: ''Isto não quer dizer muita coisa; essa vontade pode se alterar. Mas não tem nada de represália: apresentei essa proposta já no início do mandato a todos os candidatos à Presidência, e eles gostaram da ideia''.
Vereador na década de 80 quando a sessão noturna fora instituída, Gérson Araújo (PSDB), eleito ontem primeiro secretário da Mesa, no lugar de Arildo que tirou licença médica de 12 dias, foi taxatixo: ''Eram sessões contraproducentes. Algumas iam até após as duas da manhã, a gente não batia direito nesse horário, e o povo só comparecia quando o tema era muito polêmico'', atestou.
Inicialmente a favor a essas sessões, ontem Rony Alves (PTB) titubeou: ''Para mim, não muda tanto. Mas para a imprensa escrita, sim - pois publicizaria a notícia da Câmara só dois dias depois, com atraso. Democratizar o acesso, creio eu, não significa ter sessão à noite, apenas''.

mockup