As principais lideranças da Câmara vão tentar derrubar o projeto que assegurou o 13º salário a parlamentares aposentados com a extinção do Instituto de Previdência dos Congressistas (IPC), aprovado em votação simbólica na quarta-feira passada no plenário da Câmara. O presidente do PSDB, deputado José Aníbal (SP), defendeu a imediata revogação da medida, enquanto que o corregedor-geral da Câmara, Barbosa Neto (PMDB-GO), acha ser preciso emendar o projeto para evitar beneficiar aqueles que tenham renunciado para escapar de processos de cassação.
''Esse projeto está na contramão de tudo, pois o desafio do Congresso é estabelecer um sistema previdenciário mais equânime e não privilégios como esse; é um aborto'', afirmou Aníbal. O deputado disse ainda que a decisão prejudica a credibilidade do Congresso, ao garantir benefícios a tão poucos. ''Milhões de brasileiros estão numa espécie de segunda classe de aposentados, sem 13º salário nem aposentadoria integral'', enfatiza. ''Era preciso discutir uma decisão como essa de forma mais aprofundada. Com pequenas alterações, a medida poderia se tornar mais justa, evitando esse desgaste'', afirmou Barbosa Neto.
Os líderes dos partidos na Câmara também vão agir para evitar que a medida entre em vigor. O líder do PDT, Miro Teixeira (RJ), vai apresentar uma questão de ordem na próxima terça-feira para tentar anular a votação do projeto. ''Foi uma decisão infamante, leviana e irresponsável'', criticou o líder. Miro afirma que o projeto foi votado na surdina, depois que a maioria dos parlamentares deixaram o plenário.
Nem mesmo o presidente da Câmara, Aécio Neves (PSDB-MG) estava presente quando o projeto de resolução foi votado. O comando da sessão estava com o deputado Themístocles Sampaio (PMDB-PI) e depois passou para Wilson Campos (PMDB-MT), quando o projeto foi aprovado em regime de urgência urgentíssima por votação simbólica. Assessores da Mesa Diretora informaram que esse procedimento é normal quando o requerimento de urgência é assinado pela maioria dos líderes partidários.
Nesse caso, o documento só não tinha a assinatura do líder tucano, Jutahy Júnior (BA). As pressões para a inclusão do projeto na pauta foram feitas principalmente pelo ex-deputado Haroldo Sanford e pelo deputado Cunha Bueno (PPB-SP).

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