Câmara quer cassar prefeito que se diz ameaçado de morte
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quarta-feira, 25 de novembro de 1998
Patrícia Zanin 
A Câmara de Vereadores de Santana do Itararé (119 km ao sul de Jacarezinho) vota hoje, às 14 horas, o relatório da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que está investigando denúncias de irregularidades que teriam sido cometidas pelo prefeito Mário Nelson Coppola (PDT). O presidente da CEI, Joás Michetti (PSDB), antecipou à Folha que o relatório da Comissão vai sugerir a cassação do mandato dele por improbidade administrativa.
Segundo Michetti, o prefeito desconta os recursos do Fundo de Previdência Municipal da folha de pagamento, mas não deposita o dinheiro. Além disso, ele teria deixado de pagar as parcelas do empréstimo efetuado do Fundo de Previdência.
Os seis aposentados pelo Fundo de Previdência estão há seis meses sem receber. Teve um deles, servidor antigo da Câmara, que faleceu em julho sem ver a cor do dinheiro, lamentou o vereador. Segundo ele, os 220 servidores municipais não recebem salários há sete meses e os vereadores há cinco.
Esta é a terceira vez que a Câmara tenta afastar o prefeito. As outras duas ocorreram neste ano, mas ele conseguiu na Justiça o direito de voltar a exercer o cargo. Nas outras ocasiões, Coppola foi denunciado por licitações fraudulentas.
O clima no município, que tem cerca de 5 mil habitantes, é de tensão. Na semana passada, o prefeito teve de acionar a Polícia por causa de pichações na cozinha da secretaria municipal de Agricultura. Foram encontradas marcas de sangue além da inscrição Mário, você vai morrer. Havia mais de 70 impressões de mãos sujas de sangue na cozinha, relatou a esposa do prefeito, Maria Guiomar Lomba Gomes Coppola.
Ela disse que o marido está recebendo ameaças de morte por telefone. Meu marido não pode mais andar sozinho na rua, relata, indignada. Segundo Guiomar, ele precisou contratar seguranças. O prefeito não estava no município, mas Guiomar acredita que as ameaças estão partindo de inimigos políticos. Derrubamos coronéis que estavam no comando há 17 anos, relata.
A esposa do prefeito admite, porém, que os salários dos servidores estão em atraso. Mas herdamos quatro folhas em atraso quando ele assumiu, argumenta. Ela afirma ainda que houve três enchentes durante o mandato dele e houve necessidade de pagar despesas. Perdemos 23 pontes, argumenta. Guiomar disse saber da existência da CEI na Câmara, mas alega que os vereadores só tentam cassar o prefeito quando ele não está. Eles querem que meu marido renuncie, mas não vai. Se quiserem matar eles vão, mas renunciar ele não vai.


