Brasília - O presidente do Conselho de Ética da Câmara, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), vai insistir para que sejam abertos hoje os processos de cassação dos deputados José Dirceu (PT-SP) e Sandro Mabel (PL-GO) por quebra de decoro. Para isso, irá contestar a decisão do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), de que apenas um processo pode ser analisado por vez cada um tem prazo máximo de 90 dias.
O Conselho deve finalizar em até 30 dias o processo contra Roberto Jefferson (PTB-RJ) e, ao contrário do que sustenta Severino, alega poder analisar três processos simultaneamente.
Izar diz acreditar que irá convencer o presidente da Câmara porque a preocupação é operacional, não política. ''Podemos analisar três processos paralelos. Não se pode esperar um para mandar o outro'', disse Izar. Na semana passada Severino disse ser impraticável encaminhar todos os pedidos de cassação de mandato de uma só vez. Aguardam despacho da Mesa oito representações. A decisão deu sobrevida ao ex-ministro.
Até a abertura do processo de cassação, o acusado pode renunciar sem perder seus direitos políticos. Se não renunciarem e forem cassados, Dirceu e Mabel ficariam inelegíveis até 2015.
As representações contra ambos deputados apontam o envolvimento com o suposto esquema do ''mensalão'' como o motivo. Mabel, líder da bancada do PL, é acusado de receber a mesada. Dirceu, de ser o ''mentor'' do esquema, que seria operado por Marcos Valério Fernandes de Souza, dono das agência de publicidade SMPB, e pelos ex-dirigentes do PT Delúbio Soares e Silvio Pereira.
Izar não quis comentar a força das representações, mas disse que irá escolher hoje os relatores. Os advogados de Dirceu alegam que ele tem direito a foro privilegiado porque a acusação pesa contra sua atuação no cargo de ministro, enquanto estava licenciado da Câmara. A assessoria jurídica da Câmara, porém, tem entendimento contrário.
A assessoria de Severino Cavalcanti foi contatada ontem sobre a questão, mas não houve resposta até o começo da noite. Na semana passada, o presidente da Câmara disse querer evitar tumulto e apontou que a CPI dos Correios pode agilizar os processos em dez dias a comissão promete encaminhar provas ou indícios contra 18 parlamentares citados direta ou indiretamente com saques da SMPB.
Além das representações paradas na Mesa, o senador Luiz Soares (sem partido-MT) apresentou um pedido de cassação de 14 deputados que precisa passar por triagem na Corregedoria da Câmara por não ter respaldo da Mesa ou de um partido político.
Izar quer pedir também a Severino que abra um processo único no Conselho para os 14. ''Há unanimidade entre os membros do Conselho. Podemos trabalhar de segunda a sexta e ouvir dois depoimentos por dia'', afirmou.
Um fator que poderá ajudar o andamento dos casos de cassação, segundo Severino, será o resultado preliminar da CPI dos Correios. O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), já anunciou que, em dez dias, pretende divulgar um relatório parcial com os nomes dos deputados que podem ser cassados por quebra de decoro parlamentar em função das provas obtidas ao longo das investigações da comissão.

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