O desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) Airvaldo Stella Alves, não é mais o procurador jurídico da Câmara de Londrina. A portaria assinada pelo presidente da Casa, vereador Sidney de Souza (PTB), foi publicada em edital com data do último dia 1º - tão discretamente que nem mesmo assessores do Legislativo sabiam da saída.
Conforme a portaria 130/2008, o procurador, cargo de primeiro escalão na Câmara, com salário bruto de pouco mais de R$ 7 mil, com a gratificação - ele é um dos 13 comissionados indicados pela Presidência -, foi exonerado a pedido dele próprio a partir de 30 de novembro.
Empossado por Souza no início do ano sob uma áurea de austeridade jurídica, Alves viu o pretendido ar de moralidade do ano de 2008 desmoronar já em janeiro, com a prisão do então vereador Henrique Barros, que renunciou naquele mesmo mês. Desde então, Orlando Bonilha foi cassado, metade da legislatura empossada em janeiro de 2005 foi denunciada pelo Ministério Público (MP) por concussão e formação de quadrilha e quatro parlamentares seguem afastados por liminares judiciais.
Ao longo da crise, por mais de uma ocasião, o procurador se mostrou desconfortável no posto. Entretanto, ora se mostrou incrédulo a investigações feitas a partir da delação de Bonilha ao MP, em junho, ora admitiu que a população tinha motivos para se sentir indignada com a onda de denúncias. ''A indignação popular tem seus motivos, tem razão, ocorreram coisas incofessáveis.'' Já em entrevista em 18 de julho, quando falara pela primeira vez publicamente que estava desde o mês anterior ''de malas prontas'' para deixar o cargo, usou uma metáfora para definir o Legislativo: ''Aqui parece até uma Bagdá sitiada; é como um tiroteio no Morro do Alemão''.
Ontem, o procurador não atendeu os telefonemas da reportagem. Souza também não quis falar sobre os motivos do pedido de exoneração de seu escolhido, tampouco se definiria um substituto para o posto.
A vice-presidente da Mesa, Maria Angela Santini (PT), negou que a saída do procurador afete as três representações por quebra de decoro parlamentar que ainda tramitam contra seis vereadores efetivos e quatro afastados, referentes aos casos Caldarelli, Shirogohan e de suposto pagamento de mensalinho. Atualmente, elas aguardam parecer da Procuradoria sobre o quórum mínimo para votação e a possibilidade de prosseguimento na próxima Legislatura.

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