Câmara propõe aumento a prefeito e vereador
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quarta-feira, 15 de julho de 1998
Sid Sauer 
A Câmara de Vereadores de Campo Mourão vota segunda-feira projeto de lei que prevê aumento de 1.733% para o vice-prefeito, que passaria dos atuais R$ 138,00 (piso mínimo do município) para R$ 2.529,52. O mesmo projeto estipula aumento de 73,16% para o prefeito e de 58,29% para os 15 vereadores. Com isso, o salário do prefeito saltaria de R$ 4.620,00 para R$ 8 mil e dos vereadores, de R$ 1.598,00 para R$ 2.529,52.
O projeto foi apresentado anteontem com pedido de votação em regime de urgência, apesar de a Câmara estar em recesso. Foi preciso convocar uma sessão extraordinária para segunda-feira. Os autores da idéia são os vereadores Edevaldo Louzano (PTB), Júlio Vieira dos Santos (PDT), Janir Barbosa, o Branco (PFL) e João Alves (PMDB).
O aumento salarial para os vereadores vem sendo discutido desde o mês passado, quando membros do Legislativo descobriram que a reforma administrativa teria aberto uma brecha para que os vereadores reajustassem seus próprios salários. Até então, os salários deles só poderiam ser aumentados para legislaturas seguintes ou receber o mesmo índice de reajuste concedido aos demais servidores municipais.
Para evitar desgastes, os vereadores incluíram no projeto os salários do prefeito e do vice-prefeito. Para chegar ao total de R$ 2.529,52, eles tomaram por base o salário dos secretários municipais. Atualmente, os secretários têm cerca de R$ 1.250,00 de salário e uma gratificação que dobra esse valor. Pelo projeto, a gratificação será incorporada ao salário e o total servirá também para remunerar os vereadores e o vice.
Demagogia O vice-prefeito Márcio Nunes (PTB) estava ontem à tarde em Curitiba e disse que ficou sabendo da novidade pela Folha. Nunca pedi aumento, frisou. Ele disse que até outubro, quando disputa a eleição para deputado estadual, não vai receber nem os R$ 138,00 a que tem direito pela legislação em vigor. Mesmo depois das eleições, ele admite receber o salário reajustado em 1.733% somente se exercer uma função em tempo integral na prefeitura. Ninguém pode receber sem trabalhar, justifica.
O presidente do Sindicato dos Servidores Municipais, Vanderlei Veiga Ribeiro, disse que vai pedir ao prefeito Tauillo Tezelli (PSDB) que vete a lei. É um absurdo, disse. O clima de revolta entre os servidores é grande porque a prefeitura recusou um reajuste de 12,69% ao funcionalismo em março, quando venceu a data-base da categoria.


