Em menos de dois anos de mandato, os 15 vereadores de Campo Mourão já apresentaram 626 moções de congratulações a pessoas e entidades do município. A média é de 41,7 moções por vereador, ou uma moção registrada por dia, incluindo os dois períodos de recesso - dezembro a fevereiro e julho - que o legislativo tem anualmente. Por sessão ordinária, a média de sessões apresentadas chega a 10, uma vez que foram realizadas na atual legislatura 60 sessões.
‘‘Existe um excesso por parte dos vereadores’’, admite o presidente da Câmara, Edson Battilani (PSDB). Segundo ele, as moções de congratulações deveriam ser apresentadas apenas quando houvesse motivos mais relevantes, o que não estaria acontecendo. ‘‘Os vereadores usam critérios muito pessoais’’, diz. ‘‘O fato de ser ano eleitoral também aumentou a apresentação de moções’’, completa. Battilani conta que já pediu aos vereadores que diminuam os pedidos.
Entre as mais de 600 moções já aprovadas na atual legislatura, algumas envolvem pessoas famosas, como os apresentadores de televisão Jô Soares e Hebe Camargo, e o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal e da TV Record. Outras já provocaram polêmica, como as moções de repúdio ao presidente Fernando Henrique Cardoso e ao governador Jaime Lerner. Ou ainda uma moção de pesar ao príncipe Charles pela morte da princesa Diana, no ano passado.
São as moções de congratulações, no entanto, que aparecem mais. Também são elas que custam mais caro à Câmara, uma vez que exigem a confecção de um diploma para o homenageado. Cada diploma custa R$ 6,00, o que significa que o legislativo já gastou R$ 3.756,00 com as moções. ‘‘É apenas uma maneira de cumprimentarmos as pessoas pelo que elas estão fazendo’’, diz um dos ‘‘reis das moções’’, o vereador Edevaldo Louzano (PTB).
‘‘Vou continuar apresentando moções porque sigo critérios’’, ressalta o vereador. Esta semana, por exemplo, Louzano prepara moções para homenagear os atletas de Campo Mourão que ganharam medalhas nos Jogos Abertos do Paraná (Jap’s), realizados em Cascavel. Louzano admite, porém, que há excessos na Câmara. ‘‘Cheguei a pensar em votar contra todas as moções, mas seria constrangedor’’, afirma outro vereador, Janir Luiz Barbosa, o ‘‘Branco’’ (PFL).
‘‘Não pega bem votar contra uma moção’’, reforça Júlio Vieira dos Santos (PDT). Ele está no terceiro mandato e garante que nunca votou contra uma moção. ‘‘Pode ser meu inimigo político, que eu voto a favor’’. Vieira também fala em exageros na atual administração, mas confessa que apresentou um requerimento pedindo a entrega de moções para todos os advogados de Campo Mourão só por causa da passagem do Dia do Advogado.
‘‘Não tenho idéia de quantos advogados existem na cidade, mas depois que pedi as moções fiz uma análise e cheguei à conclusão que nem todos mereciam’’, conta Vieira. José Eugênio Maciel (PSDB) diz que não vê nada de mal nas moções desde que elas estejam ligadas ao interesse público. ‘‘Moção tem que ter um fundamento’’, frisa. ‘‘Infelizmente, muitas vezes as moções são apresentadas somente para promoção pessoal do vereador’’.
Maciel diz que gosta de apresentar moções como forma de reconhecimento ao trabalho das pessoas, mas condenam os vereadores que se limitam a esse tipo atuação. ‘‘Quem faz apenas isso está fugindo das suas atribuições’’, alega.

mockup