Brasília - Apesar de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ter sido cassado, a cúpula da Câmara dos Deputados deve discutir nos próximos dias se mantém ou não alguns dos benefícios oferecidos pela Casa, entre eles acesso aos serviços do departamento médico e o plano de saúde dos parlamentares. Pelas regras atuais, ex-deputados mantêm alguns desses benefícios. Nessa terça-feira (13), nem o deputado Beto Mansur (PRB-SP), primeiro-secretário da Câmara, nem a diretoria-geral da Casa souberam dizer se esses privilégios são aplicáveis também a ex-deputados que foram cassados. Um dos benefícios é o acesso ao departamento médico, que inclui atendimento ambulatorial e de emergência, com a realização de exames radiológicos, de laboratório, cardiológicos e de endoscopia, além de cirurgias de pequeno porte. Os ex-deputados também podem manter o plano de saúde da Câmara (Pró-Saúde), que tem cobertura familiar, desde que continuem a pagar uma contribuição mensal não subsidiada. Outros benefícios concedidos aos ex-parlamentares são o livre acesso ao plenário da Câmara e à Biblioteca, entre outros locais da Casa. A possibilidade de manter esses benefícios a Cunha será analisada pela área técnica da Casa e, possivelmente, será decidida pela Mesa da Câmara, órgão comandado pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Com a cassação do mandato, Cunha terá 30 dias para sair do apartamento funcional que ocupa na Asa Sul, região central de Brasília. De acordo com a área técnica, Cunha perde automaticamente os assessores, seguranças, carro oficial, verbas relativas ao mandato e o salário, de R$ 33,7 mil ao mês.

VOTAÇÃO
O ponto final do conturbado processo contra Cunha, iniciado em novembro de 2015, foi anunciado às 23h50 de segunda-feira (12). O placar mostrou 450 votos pela cassação do peemedebista - 193 a mais do que o mínimo necessário-, contra apenas 10 pela absolvição. Houve nove abstenções. Cunha era formalmente acusado na Câmara de mentir aos colegas ao negar, em março de 2015, ter "qualquer tipo de conta" no exterior - frase dita meses antes de vir à tona a existência de dinheiro atribuído ao peemedebista na Suíça. Com a decisão da Câmara, fica inelegível até janeiro de 2027. (Ranier Bragon/Folhapress)

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