O produtor cultural Juarez Rezende Araújo apresentou, na segunda-feira, um pedido de abertura de investigação interna na Câmara de Londrina para apurar se houve quebra do decoro parlamentar por parte de sete vereadores suspeitos de cobrar propina para aprovar lei municipal em benefício da boate erótica Shirogohan. Em caso de condenação, os parlamentares podem ter seus mandatos cassados e suspensos os direitos políticos por dez anos. Foram citados os vereadores afastados Sidney de Souza (PTB), Gláudio Renato de Lima (PT), Pastor Renato Lemes (PRB), Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), Renato Araújo (PP), Flávio Vedoato (PSC) e Osvaldo Bergamin (sem partido). Rezende foi o autor de uma das representações levadas à Câmara no início do ano pedindo as mesmas providências contra os vereadores envolvidos no escândalo deflagrado pela prisão do ex-vereador Henrique Barros (sem partido).
''Espero que isso resulte numa investigação da Comissão de Ética. A situação tem que ficar bem clara'', afirmou o produtor cultural. ''Tomei a iniciativa novamente após ler na FOLHA que só haveria processo se houvesse provocação'', ironizou.
Anexada à representação, Araújo encaminhou uma cópia do despacho de 28 páginas do juiz da 5 Vara Cível, Alberto Júnior Veloso, que decretou o afastamento dos parlamentares na última sexta-feira. No documento, o juiz registra que há indícios testemunhais e documentais de irregularidades na tramitação da lei. O dono da boate Shirogohan admitiu ter pago R$ 15 mil pela aprovação do projeto. Bonilha e Barros, que também são citados na ação da 5 Vara, não foram incluídos na representação porque renunciaram aos mandatos.
A presidente em exercício da Câmara, Maria Angela Santini (PT), afirmou que os desdobramentos da representação ficarão suspensos durante o recesso legislativo - que vai até 1º de agosto. ''Nesse período os prazos deixam de ter validade'', disse Santini. A partir do dia 1 , a procuradoria terá sete dias para emitir parecer sobre a admissibilidade da representação.
O presidente da Comissão de Ética, Roberto Kanashiro (PSDB), afirmou que se a procuradoria entender que houve incompatibilidade com o decoro parlamentar, o processo resultará na abertura de comissão processante - que pode levar às cassações. Na avaliação de Kanashiro, após o despacho do juiz da 5 Vara, as suspeitas contra os vereadores se agravaram. ''É contundente a coisa. O despacho vai levar a uma avaliação mais séria do que vínhamos imaginando'', disse. O procurador da Câmara, Airvaldo Stella Alves, não foi localizado ontem.
Recursos
Cinco dos vereadores afastados recorreram ontem ao Tribunal de Justiça (TJ) para obter a recondução aos cargos. O agravo de instrumento de Renato Lemes, o primeiro a ser protocolado, foi distribuído para o juiz convocado Rogério Ribas. Já o recurso coletivo apresentado por Sidney, Gláudio, Vedoato e Tamarozzi chegou ao TJ no final da tarde. O autor do pedido, o advogado Deli Dias das Neves, alegou que o afastamento só poderia ser decretado em ocasião excepcional, e que os vereadores não atrapalhariam a instrução do processo se permanecerem no exercício dos cargos. Com exceção de Bonilha, todos os outros citados na denúncia negam as acusações.

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