A Câmara de Vereadores de Londrina terá, a partir de abril, um gasto de cerca de R$ 5 mil a mais por mês com telefonia. Na próxima semana, 16 dos 18 vereadores receberão um aparelho celular que custou aos cofres públicos mais de R$ 600 cada e terão gastos cobertos com ligações de até R$ 300 por mês.
Segundo o diretor da Câmara, Rubens Canizares, por determinação ''da Mesa Executiva com a concordância da grande maioria dos vereadores'', a Casa aderiu ao plano Sercomtel Empresa Sul, que concede descontos no valor dos aparelhos e nos minutos utilizados. ''Cada vereador vai ter uma cota de até R$ 300 e o que passar vai ser descontado em folha. Os celulares são patrimônio da Câmara pelo sistema de comodato. Cada aparelho custou em torno de R$ 600 e vamos pagar em 24 vezes. Estamos finalizando a negociação e os aparelhos devem ser entregues na semana que vem'', relatou. ''Diversos vereadores já haviam pedido para a gente estudar isso. Um grupo de vereadores que estavam vendo o tanto que estavam gastando com celular para o serviço da Câmara. É mais um instrumento de trabalho que a Câmara está disponibilizando para os vereadores, como o acesso à Internet banda larga e a cota de xerox para ajudar na qualidade do trabalhos.''
Conforme Canizares, os ''gastos extras'' estão contemplados no orçamento da Câmara. ''Temos essa dotação orçamentária prevista. Encaixamos isso em despesas de telefonia, não foi feito projeto específico'', explicou.
Para o presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), os gastos com os telefones celulares irão se reverter em atendimento à população. ''Esses recursos que serão destinados para o celular serão para a população. Vários vereadores recebem ligações a cobrar e estão atendendo pessoas que não têm disponibilidade de estar ligando para o vereador'', argumentou. ''Hoje o vereador não tem um carro para cada um, nem recebe gasolina. Como já temos cota na (telefonia) fixa, vamos estar estendendo para o celular. É uma forma do vereador poder atender a demanda da comunidade.''
Bonilha também negou que o atendimento ao citado pleito dos companheiros tenha a ver com as eleições para a presidência da Mesa, no final do ano. ''Na verdade isso (reeleição) nem passa pela minha cabeça. Estamos a quase um ano da disputa. Temos três ou quatro pretendentes e se há um ou outro tentando me queimar, quero deixar tranquilo que, a princípio, não tenho intreresse em disputar a presidência.''
Dos 18 vereadores, somente Tercílio Turini (PPS) e Roberto Fu (PDT) não aceitaram o novo benefício. ''Fui consultado na semana passada e disse que não tinha interesse. Estou satisfeito com o telefone que tenho e geralmente não gasto muito mesmo'', disse Turni. Fu considera a novidade ''não muito moral''. ''Acho que a comunidade não vai aceitar. Celular acaba sendo objeto particular do vereador. Me falaram que é legal, mas na minha opinião, acho que para mim não seria muito moral estar pegando esse celular e ainda os 300 que estariam pagando a conta'', justificou.

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