Os cinco votos contrários contra a matéria ficaram registrados apenas na ata das últimas sessões de 2005 na Câmara de Vereadores de Londrina. Na prática, todos os assessores de gabinete receberam no último dia 20 o abono salarial de R$ 500 que vigora, segundo o projeto de resolução da Mesa Executiva, ''por tempo indeterminado''.
A iniciativa foi votada durante as últimas sessões extraordinárias do ano passado, já à noite, na forma de um substitutivo ao projeto que previa a criação de mais dois cargos em comissão na Câmara o controlador-geral e o técnico de som. No mesmo dia, mas durante a tarde, um grupo de servidores públicos municipais da Prefeitura havia protestado boa parte da sessão contra o projeto do novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) no formato enviado pelo Executivo.
Diferentemente do informado pelo Legislativo quando da aprovação do projeto, não serão 59, mas 69 os comissionados que receberão o benefício. Se pago integralmente quem receber menos de R$ 500 só poderá ter o salário dobrado , serão R$ 34,5 mil mensais, ou R$ 414 mil ao ano. Entretanto, o valor pode praticamente dobrar se, ao longo do ano, todos os 90 assessores parlamentares distribuídos pelos 18 gabinetes forem nomeados.
De acordo com o diretor da Câmara, Rubens Canizares, a distribuição do benefício mesmo aos subordinados de quem votou contrariamente à medida obedeceu ''um entendimento jurídico de nossa Procuradoria de que a lei vigora para todos''. Segundo Canizares, não houve qualquer manifestação contra o pagamento, de parte de vereadores, tampouco de assessores que poderiam ficar de fora do bolo. O diretor disse também que não houve remanejamento da verba de gabinete para que os R$ 500 não impactassem na folha de pagamento.
O presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), alegou que, mesmo que quisesse, o vereador contrário ao abono não poderia abrir mão do benefício ao assessor mesmo este sendo nomeado pelo parlamentar. ''O vereador não pode interferir nisso, seria uma exorbitação de poderes'', analisou.
Dos 18 parlamentares de Londrina, votaram contra o abono Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), Tercílio Turini e Paulo Arildo (PPS), Roberto Fu (PDT)
e Maria Ângela Santini (PT). Arildo e Tamarozzi não foram localizados pela reportagem para comentar o assunto.
Turini argumentou não ter ''mudado de posicinamento'', uma vez que teria orientado os três assessores a não receberem o benefício. ''Fiz isso para que se precavessem em caso de algum questionamento futuro, mas eles procuraram a direção da Casa e souberam que a lei tem de valer igualmente a todos. Pedi então que depositassem o valor em uma poupança'', disse.
Fu afirmou ter sabido do abono pago aos assessores dele por meio da reportagem. Por outro lado, admitiu ter votado contra por ''receio de que houvesse repercussão negativa como a do aumento da verba de gabinete'', declarou, referindo-se ao episódio mal recebido pela opinião pública no início de 2005.
A petista Maria Ângela explicou que nada poderia fazer ante um benefício que veio automaticamente na folha dos funcionários. ''Também não poderia pedir o não-pagamento porque a lei é direito adquirido pela maioria. Fui voto vencido, e em uma democracia é assim mesmo'', concluiu.

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