Câmara nega assessor a vereador cego
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quinta-feira, 28 de novembro de 2002
Cristiane Oya <BR>Reportagem Local 
O vereador de Rolândia, José Giuliangeli de Castro (PT), o Zezinho, está reivindicando a nomeação de um assessor para ajudá-lo nos trabalhos do Legislativo. Zezinho é portador de deficiência visual e, desde o início do seu mandato, em 2000, já tentou, duas vezes, a nomeação do assessor, sem sucesso.
''Não se trata de privilégio, se trata de isonomia. Entrei na Câmara há dois anos e pedi para o presidente que pelo fato de eu ser cego, necessitaria de uma assessoria para ler documentos, acompanhar obras públicas, ler correspondências e na época ele disse que resolveria o problema. Não resolveu'', reclamou o vereador. ''Tinha também um projeto tramitando há quase um ano e que agora foi reprovado. Mostra a desumanidade com que os vereadores tratam as pessoas com deficiência'', desabafou. De acordo com Zezinho, até agora o seu trabalho como vereador era possível porque sua ex-esposa o assessorava. O assessor custaria aos cofres da Câmara, cerca de R$ 500,00 mensais.
Conforme Zezinho, o Regimento Interno da Câmara não prevê a nomeação de assessores parlamentares. ''Ainda que o Regimento da Câmara não preveja, o artigo primeiro da Constituição fala da questão da dignidade humana. Na Câmara têm dois cargos que não estão ocupados, mas o presidente da Câmara disse que não poderia nomear um assessor para mim porque senão os outros vereadores também vão requerer.'' O caso do vereador fará parte de uma manifestação no Calçadão de Londrina, no dia 3, Dia Nacional do Portador de Deficiência.
O presidente da Câmara, Narciso Bouças Júnior (PMDB), afirmou que não pode nomear um assessor para Zezinho e ''passar por cima da decisão do plenário''. ''Colocamos um projeto pra resolver esse assunto mas os vereadores não concordaram pelo seguinte, porque a Câmara tem funcionários disposníveis para ajudar o vereador, mas o Zezinho não aceita. Ele quer funcionário de confiança'', alegou.


