O vereador afastado Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) afirmou ontem que é basicamente ''pela imprensa'' que chegam aos representantes eleitos pelo voto popular eventuais queixas sobre a qualidade dos serviços de transporte coletivo prestados na cidade. ''Diretamente, lá, na Câmara, nunca recebi essas queixas'', respondeu à FOLHA após o depoimento prestado ao delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore. Tamarozzi e o também afastado Osvaldo Bergamin (sem partido) foram ouvidos no inquérito que apura se houve pagamento de um ''mensalinho'' de R$ 1,6 mil, pela empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), a um grupo de 11 vereadores empossados em 2005.
Hoje de manhã, é a vez de prestar depoimento o presidente da Casa, Sidney de Souza (PTB); à tarde, são aguardados o ex-vereador Henrique Barros (sem partido) e os vereadores Jamil Janene (PMDB) e Gláudio Renato de Lima (PT), líder do Executivo. Amanhã, o delegado ouve Sandra Graça e Marcelo Belinati (ambos do PP), e os afastados Renato Araújo (PP) e Flávio Vedoato (PSC). Os dez nomes, que negam as acusações, foram elencados pelo ex-vereador Orlando Bonilha (sem partido) em depoimentos prestados em junho passado. O ''mensalinho'' foi um dos mais de 20 esquemas de corrupção que, segundo ele, aconteceriam no Legislativo londrinense - a suposta mesada repassada pela TCGL, dissera, seria uma espécie de ''cala-boca'' aos parlamentares para que eles não levassem a plenário polêmicas envolvendo o transporte coletivo, tais como queixas de usuários sobre quantidade de linhas, atrasos ou preço da tarifa, por exemplo.
Segundo Tamarozzi, as queixas reproduzidas pelos veículos de comunicação da cidade não são comuns na Casa. ''No Movimento (na fundação que preside) tive algumas reclamações; as pessoas vinham falar do horário, de ônibus muito lotado, mas eu mandava ofício - nunca nos omitimos; nenhum vereador'', defendeu. Sobre as acusações de Bonilha no caso TCGL, o petebista definiu: ''Fiz o relatório que cassou o vereador; ele não me mandaria flores. Mas tenho profissionais trabalhando para mim, voluntariamente, que vão provar comigo, à Justiça, que não tenho nada com isso'', disse.
Bergamin chegou ao Gaeco e deixou o local sem falar com a imprensa - murmurou apenas um ''nada a declarar'', indagado sobre o mensalinho, e um ''graças a Deus'', quando indagado se não tenta a reeleição. ''Ambos negaram receber o pagamento; agora, é aguardar o laudo da perícia no material que já apreendemos (no Gaeco e no escritório de Renato Araújo) ao longo das investigações'', apontou o delegado.

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