Câmara não deve chamar aprovados em concurso
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sexta-feira, 04 de janeiro de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Pelo menos metade dos oito aprovados no concurso público de 2006 da Câmara de Vereadores de Londrina não deve ser chamada para ocupar as vagas nem este ano nem no próximo. À época, 9.978 candidatos do Paraná e de outros quatro estados concorreram ao cargo de analista de sistemas, de nível superior, e aos sete postos de técnico legislativo, de nível médio, com salários iniciais de respectivamente R$ 2.787,47 e R$ 1.795,56 - valores que incluem abono mensal de R$ 500 e auxílio-alimentação.
A previsão foi feita ontem pelo presidente do Legislativo, vereador Sidney de Souza (PTB), que justificou a não-convocação de todos os oito aprovados no exame de dezembro daquele ano à política de contenção de gastos defendida por ele quando assumiu a Presidência, em janeiro de 2007.
Os postulantes aos cargos que exigiam apenas ensino médio desembolsaram R$ 21 para efetuar a inscrição; já os interessados à vaga de analista de sistemas - com curso superior completo na área de Ciência da Informática - pagaram R$ R$ 40. A Câmara alega que não teve despesas com a aplicação das provas, uma vez que a empresa organizadora do concurso e vencedora da licitação para tal, a Cemat Assessoria Jurídica e Administrativa Ltda., seria remunerada com a soma arrecadada em inscrições.
O edital com os oito aprovados saiu em 22 de dezembro de 2006, mas, segundo o presidente da Câmara, não há uma previsão de quando serão chamados. Ele alega que a posição vem sendo discutida desde fevereiro do ano passado com as chefias de departamento, com as quais teria definido ''remanejamentos e otimizações de funcionários''.
''Adotamos a linha de contenção de despesas e os funcionários colaboraram; isso chegou a possibilitar até a redução de horas extras'', declarou Sidney. Dos mais de R$ 1 milhão devolvidos semana passada ao Executivo, do orçamento de 2007 da Câmara, a economia de horas excedentes de efetivos representou R$ 235 mil. Sem contar os encargos trabalhistas, os oito aprovados no concurso impactariam em cerca de R$ 200 mil/ano.
O vereador que antecedeu o petebista na Presidência, e que convocou o concurso, Orlando Bonilha (PR), disse que a medida atendeu uma comissão de efetivos da Casa. ''A preocupação era com a qualidade dos tabalhos, já três se aposentaram ano passado, e outros dois devem se aposentar este ano. A contenção é bem-vinda, mas não se podemos perder qualificação'', defendeu.
O concurso tem validade de dois anos, renovável por mais dois. Sidney justificou que, ''como o histórico da Câmara é de dois ou três aposentados ao ano, alguns (concursados) terão que ser chamados até começo de 2009''. Se isso é definitivo? ''Somente se sentirmos que dentro deste ano mesmo pode haver comprometimento da qualidade funcional da Câmara. Como serão uns quatro aposentados do atual quadro, até dezembro, eles terão de ser repostos de quem passou nas provas'', concluiu.


