Os vereadores citados no interrogatório do ex-vereador Henrique Barros ao Ministério Público descartaram a abertura de investigação para apurar o eventual envolvimento de novos nomes no crime de concussão. A entrevista, na sala da Presidência da Câmara, contou com 14 vereadores e foi convocada a título de ''coletiva institucional''. A palavra foi utilizada na maior parte do tempo pelo presidente do Legislativo, Sidney de Souza - um dos citados pelo ex-parlamentar.
''A instituição aqui representada pela maciça presença dos vereadores acha por bem se pronunciar. Mas nós só vamos tratar, que fique claro, do caso Henrique Barros. A nossa fala sobre isso finaliza no dia de hoje'', disse Souza. ''A nosso ver este é um assunto vencido porque já foi exaustivamente investigado. Toda e qualquer informação prestada pelo ex-vereador Henrique Barros é uma pura tentativa de generalizar e se eximir da responsabilidade criminal da qual ele foi imputado.'' O presidente da Câmara considerou ''ridícula'' a afirmação de Barros de que tinha medo de entregar todos os nomes envolvidos em irregularidades por medo de ser ''morto''.''Os vereadores e vereadoras que aqui estão são do seio da sociedade londrinense, pessoas de paz que primam principalmente pelo respeito ao próximo.'' Souza aventou a possibilidade de ''processar'' Barros por ter citado seu nome.
Enquanto aguardavam do lado de fora da sala da Presidência, repórteres de diversos órgãos ouviram uma discussão em voz alta entre os vereadores. Após a coletiva, sem se identificar, um deles contou que alguns colegas queriam deixar o local antes da entrevista, mas suas presenças foram cobradas pelos demais. A mesma fonte acrescentou, porém, que esta foi uma das reuniões mais calmas desde o início da crise da Câmara e que em outras ocasiões as discussões foram bem mais acirradas.
Sidney de Souza, ao final da coletiva, se recursou a comentar a investigação que apura eventual cobrança de propina para a legalização de um motel de propriedade do grupo que administra a boate erótica Shirogohan. Claudemir Medeiros, proprietário do empreendimento, negou irregularidades ao MP e disse que Souza foi o articulador do projeto. Questionado sobre o assunto, o presidente da Câmara apenas desejou ''boa sorte'' à imprensa. (Fábio Cavazotti/Reportagem Local)

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