Câmara Municipal deve acabar com voto secreto
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quarta-feira, 22 de agosto de 2001
Dimitri do Valle<BR>De Curitiba 
Até o final de setembro, a Câmara de Vereadores de Curitiba deve votar o projeto que acaba com o voto secreto. A estimativa é do vereador Ney Leprevost (sem partido), presidente da comissão que analisa o assunto. Os debates internos já expuseram resistências para quebrar o sigilo em pelo menos duas situações: homenagens e cassação de mandato de vereador.
''Acho que o projeto vai ser aprovado em alguns casos, mas nas votações sobre honrarias e cassação vai ser difícil'', afirma Leprevost, autor da proposta em parceria com o vereador Alexandre Khury (sem partido). ''Se conseguirmos aprovar o veto de atos do prefeito e das contas municipais, já teremos um grande avanço.''
De acordo com o regimento interno da Casa, o voto secreto está previsto na concessão de homenagens, eleição da mesa diretora, cassações dos mandatos de vereador e prefeito, análise das finanças municipais e em caso de veto a projeto do Executivo municipal. ''Todas as votações precisam ser abertas. Isso dará maior transparência'', diz Khury.
Os simpatizantes da idéia já conseguiram vitórias nas comissões técnicas. O vereador André Passos (PT), relator da Comissão de Legislação e Justiça, deu parecer favorável à derrubada do voto secreto, sem restrições.
Na tarde de ontem, os vereadores receberam o apoio do presidente da Câmara de Vereadores de São Paulo, José Eduardo Cardoso (PT), autor do projeto que em janeiro deste ano terminou com o voto secreto no Legislativo paulistano. Cardoso disse que numa realidade democrática como a do Brasil não há mais sentido em manter o sigilo.


