Imagem ilustrativa da imagem Câmara Municipal de Rolândia arquiva denúncia contra Francisconi
| Foto: Vitor Struck/Folha de Londrina


A Câmara Municipal de Rolândia arquivou a denúncia contra o prefeito afastado, Luiz Francisconi Neto (PSDB), de ter direcionado um processo licitatório para favorecer a empresa Somopar no contrato de aluguel de um barracão do antigo IBC (Instituto Brasileiro do Café). Ao todo seis dentre dez vereadores votaram pela cassação nos três quesitos que foram avaliados, no entanto, para ter o mandato cassado, eram necessários, sete votos.

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Foram favoráveis os vereadores Alex Santana (PSD), Andrezinho da Farmácia (PSC), o relator da Comissão Processante, Reginaldo Silva (PSC), Rodrigão (SDD), João Ardigo (PSB) e a vereadora Edileine Griggio (PSC), também integrante da CP. Já o presidente da Câmara, Eugênio Serpeloni (PSD), o presidente da Comissão Processante, Irineu de Paula (PSDB), a vereadora Maria do Carmo (PSDB) e o suplente do autor da denúncia, João Gaúcho (PSC), Leandro Olímpio (PSC) se abstiveram de votar.

Mesmo com o resultado, o prefeito segue afastado do cargo e o vice, Roberto Negrão (PR), é quem continua na chefia do Executivo interinamente. Francisconi deixou a Câmara ao lado dos três advogados de defesa antes mesmo do resultado diante do clima de animosidade que se formou ao logo de toda a sessão. Logo após a leitura por parte do presidente da Câmara de que a denúncia havia sido arquivada, dezenas de munícipes presentes na Casa ficaram revoltados. Gritos de "vergonha" tomaram conta da plenária.

O suplente Leandro Olímpio teve dificuldades para deixar a Casa em meio a uma multidão que o cercava. Sob gritos de "traidor", Olímpio precisou ser amparado por seguranças até o carro, onde policiais militares estavam de plantão. No caminho disse que era "apenas um suplente que não conhecia o caso" de Francisconi, enquanto alguns moradores afirmavam que ele já teria um cargo prometido na Prefeitura de Rolândia e que seria nomeado daqui alguns meses.

Outro vereador que precisou ser amparado por seguranças foi o presidente da Casa, Eugênio Serpeloni. No caminho para o carro, disse apenas que estava com a consciência tranquila e que a Câmara deveria esperar o julgamento da Justiça.

Para o vereador Alex Santana, a imagem da Câmara Municipal fica manchada.

"Foram seis meses de muita dedicação, muita luta. Nós vemos os vereadores que tiveram acesso aos documentos, ouviram as oitivas, viram as provas e tiveram a coragem de votar a favor da corrupção. Eles conduziram o prefeito de novo ao cargo mas ele está afastado pela Justiça, é ela que vai determinar quando ele volta, mas ele continua recebendo o seu salário de quase R$ 20 mil sem trabalhar", lamenta.

Já João Ardigo avalia que o clima na Câmara e na cidade vai ficar ainda mais tenso.

"Com isso, nossa cidade, infelizmente, parou. Nós vamos agora, a partir de segunda-feira (4), ver qual posição nós vamos tomar e vamos enquanto vereador na Câmara tentar fazer Rolândia caminhar, o que nós não podemos mais é deixar a nossa cidade parada no tempo", afirma.

Desanimado, o relator da CP, Reginaldo Silva, destacou que a justiça não foi feita com o resultado. Questionado sobre as abstenções, falou que uma medida futura para extinguir esta opção durante votações como esta seriam importantes.

"Eu concordo, acho que a abstenção é uma maneira cômoda do político não ficar mal com ninguém, eu acho que a população quando elege um candidato ela quer um sim ou não, e fica uma situação bastante desconfortável", diz.

Já os vereadores Irineu de Paula, Maria do Carmo e o prefeito afastado, Luiz Francisconi, saíram sem falar com a imprensa.

De acordo com o Ministério Público, Francisconi recebeu R$ 150 mil dos proprietários da Somopar na forma de doações de campanha. Os pagamentos foram feitos em cheques e teriam sido repassados pelo secretário municipal também afastado Dário Campiolo. Campiolo foi o coordenador da campanha de reeleição de Francisconi à Prefeitura, em 2016, e, segundo os promotores, era quem articulava o esquema de solicitação de propina revelado na Operação Patrocínio em setembro do ano passado. Campiolo é casado com a vereadora Maria do Carmo, uma das parlamentares que se absteve da votação.

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