A Câmara de Vereadores de Londrina deve convocar em 48 horas os suplentes Vera Lucia Rubbo (PSB), Rubens Canizares (PHS), Fernando Nicolau (PP) e João Dib Abussafi Filho (PPS) a tomarem posse, respectivamente, no lugar dos parlamentares afastados Orlando Bonilha (PR), Flávio Vedoato (PSC), Renato Araújo (PP) e Osvaldo Bergamin (PMDB). A confirmação dos nomes dos aptos a assumir os postos foi feita ontem ao Legislativo pelo juiz da 41 Zona Eleitoral de Londrina, Wellington Emanuel Coimbra de Moura, com base nas coligações e partidos pelos quais os quatro afastados foram eleitos nas eleições de 2004. A resposta, cercada de sigilo na Casa, foi dada à consulta formulada na última terça-feira pelo presidente, Sidney de Souza (PTB).
Se nos corredores da Câmara a lista dos suplentes que assumiriam era um dos ''mistérios'' - uma vez que, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PR), a informação ontem à tarde era que nenhuma consulta sobre assunto fora feita pelo Legislativo londrinense -, no Plenário, o enigma era saber de pronto se passaria com facilidade o projeto de resolução que possibilita agora a convocação dos quatro. A matéria passou em segundo e último turno, mas após horas de debate a portas fechadas e ao microfone. Com isso, o regimento interno passa a autorizar esse tipo de convocação também em casos de afastamentos judiciais dos titulares.
Ao contrário da unanimidade verificada no primeiro turno, na terça - com o detalhe de que todos os 14 vereadores restantes assinaram a proposta ontem -, Sandra Graça, Marcelo Belinati, Antenor Ribeiro (PP), Jamil Janene (PMDB) e Roberto Fu (PDT) pediram que a matéria fosse protelada até semana que vem, para que eventuais dúvidas que os gastos de R$ 70 mil/mês que a convocação (entre suplentes, assessores e encargos sociais) pudessem trazer à população fossem sanados até lá. Eles recuaram na votação nominal, e o projeto passou.
Apesar de os inicialmente contrários à alteração do regimento negarem qualquer manobra político-partidária, nos bastidores a expectativa estava no julgamento dos agravos de instrumento, pelo Tribunal de Justiça (TJ-PR), dos quatro afastados. No curso da sessão, que acabou já perto das 19 horas, as medidas tramitaram, mas terminaram sem análise final.
''A preocupação minha e de outros vereadores era só de informar mais a população; é importante divulgar tudo bem, antes de votar, porque enfrentamos um descrédito'', justificou Janene. ''Foram estranhos alguns comportamentos em plenário, pois vários questionamentos deles não foram levados à reunião com a assessoria jurídica, instantes antes'', insinuou o líder do Executivo, Gláudio Lima. Para o vereador Tercílio Turini (PPS), ''a Câmara precisa retomar seu quórum e voltar a discutir projetos; nós e a cidade não podemos viver em função dessa crise'', ponderou.
O presidente da Câmara retorna hoje de Curitiba. Ontem, porém, em transmissão de uma ligação telefônica dele o petebista pediu para que a alteração fosse feita a fim de que as contas de 2008 não fossem desaprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado.

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