Câmara mantém nova CP engavetada
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terça-feira, 09 de maio de 2000
Lucilia Okamura De Londrina 
Contrariando a expectativa dos integrantes do Movimento Pela Moralização na Administração Pública de Londrina, a discussão no Legislativo sobre a abertura de mais uma Comissão Processante (CP) contra o prefeito Antonio Belinati (PFL) foi adiada novamente. Com as providências tomadas anteontem pelo Ministério Público (MP), que pediu inclusive o afastamento do prefeito do cargo, o movimento e vereadores de oposição esperavam que o assunto fosse resolvido definitivamente na sessão de ontem.
O requerimento que permitiria a discussão e a abertura da CP da Sercomtel foi engavetado semana passada pelo presidente Renato Araújo. Tanto a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que pertence ao movimento quanto um grupo de sete vereadores protocolaram pedidos de reconsideração a Araújo. O requerimento da OAB ainda não foi analisado, mas o dos vereadores foi indeferido sob a alegação de que foi protocolado fora do prazo legal de 48 horas.
De acordo com o argumento de Araújo (afastado por problemas de saúde), sua decisão de engavetar aconteceu no dia 2, às 14h48 e os vereadores protocolaram o requerimento às 15h22, uma hora após o prazo legal. Na sessão de ontem, o vereador Carlos Kita (PSDB), um dos que assinam o requerimento, negou que estivesse fora do prazo.
Kita mostrou cópia do requerimento, protocolado às 15 horas. Isso prova que existem dois protocolos, um feito às 15 horas e outro às 15h22; queremos uma diligência para apurar o fato, solicitou. Além disso, ele apontou outro erro: cópia sobre a sessão do dia 2 de maio, anexada por Araújo, mostra que os trabalhos tiveram início às 14h48 e terminaram às 14h48.
O presidente em exercício da Câmara, Jorge Scaff (PSB), acatou o pedido da diligência e acredita que o caso será elucidado até amanhã, quando acontece outra sessão do Legislativo. Sobre o pedido da OAB, ele argumentou que é preciso esperar antes a decisão a respeito do requerimento dos vereadores.
Integrantes do Movimento acompanharam a sessão e, ao saberem da decisão, abandonaram as galerias. O presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Newton Moratto, lamentou a decisão, mas disse que amanhã eles estarão presentes novamente para acompanhar a sessão. Se o despacho de Araújo não for reconsiderado, o movimento deve ingressar com uma representação criminal junto ao Ministério Público, sob a justificativa de prevaricação agente público que deixa de cumprir ordem judicial por interesse pessoal.
Os integrantes da chamada CP do PAI (que apura irregularidades na publicidade do Pronto Atendimento Infantil) se reúnem hoje à tarde para discutir como será conduzida a reunião de segunda-feira, quando serão ouvidas as 10 testemunhas arroladas pela defesa de Belinati. Existe a possibilidade de testemunhas serem trocadas, já que algumas delas informaram que não irão comparecer.


