Brasília - A Mesa Diretora da Câmara decidiu arquivar os processos contra 36 deputados que constam da lista da Polícia Federal nas investigações de compra superfaturada de ambulância. De um total de 62 nomes, apenas 16 serão investigados pela comissão de sindicância da Corregedoria. Outros dez deputados aguardarão o aprofundamento das investigações da PF. Os três membros da Mesa Diretora que foram citados não estão entre os que serão investigados. A comissão de sindicância ainda avalia dois nomes de deputados que não foram identificados porque na lista encaminhada à Câmara pela Justiça Federal não constam os sobrenomes.
  Segundo o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), um grupo será investigado pela comissão de sindicância da Corregedoria da Casa. Contra estes deputados há indícios de que teriam recebido o dinheiro para destinar emendas ao Orçamento para comprar ambulâncias. A outra turma de parlamentares, que tem assessores presos pela ‘‘Operação San-guessuga’’, também deverá ser investigada, mas os processos só serão abertos depois que forem aprofundadas as investigações sobre os servidores pela comissão de sindicância da Câmara, ligada à diretoria-geral da Casa. O terceiro grupo terá o processo arquivado porque não foram encontrados indícios sobre a participação dos deputados no esquema ilegal.
  Os deputados Nilton Capixaba (PTB-RO), segundo secretário, e Elaine Costa (PTB-RJ) estão na lista dos que aguardarão mais dados da PF; o deputado João Caldas (PL-AL), quarto secretário, e o deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), terceiro secretário, escaparam da investigação. A divulgação da lista causou alvoroço na Câmara. Vários deputados de diferentes partidos estiveram no gabinete do corregedor, deputado Ciro Nogueira (PP-PI), para tentar descobrir em qual das três situações tinham sido incluídos.
  O líder do PTB, deputado José Múcio Monteiro (PE), foi um dos que esteve no gabinete do pepista. O PTB tem 12 deputados citados na lista da PF, dos quais apenas três serão investigados.
  A lista inicial analisada pela Mesa Diretora tinha 15 nomes, mas o presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), mandou para a Corregedoria, após a conclusão da reunião, mais um nome - Reginaldo Germano (PP-BA). Segundo noticiado na imprensa, ele teria recebido dinheiro na sua conta pessoal da quadrilha que fraudava o Orçamento.
  Os três deputados que integram a Mesa e foram citados na lista - Eduardo Gomes
(PSDB-TO), João Caldas (PL-AL) e Nilton Capixaba (PTB-RO) - não participaram da reunião de ontem. A comissão de sindicância da Corregedoria da Casa será formada por cinco deputados - Givaldo Carimbão (PSB-AL), Jorge Alberto
(PMDB-SE), Odair Cunha (PT-MG), Robson Tuma (PFL-SP) e Ciro Nogueira (PP-PI).

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