Câmara irá investigar a existência de leis mortas
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terça-feira, 04 de novembro de 1997
Patrícia Zanin 
Londrina
Arquivo FolhaEm busca da origem Adalberto Pereira: se a lei não funciona, têm que haver um motivoO presidente da Câmara de Vereadores de Londrina, Adalberto Pereira da Silva (PFL), irá propor à mesa executiva a criação de uma comissão, que trabalharia em conjunto com a prefeitura, para detectar leis mortas. É importante sabermos exatamente quantas delas são cumpridas e por que outras não estão em vigor. Se não funcionam têm de haver um motivo e uma justificativa, defende Adalberto, que admite ter se dado conta do problema depois de ler reportagem publicada no domingo pela Folha sobre o excesso de leis em Londrina.
A comissão reveria as leis e avaliaria aquelas que precisam ser revogadas. A vida política é muito dinâmica. Leis e códigos necessitam de uma revisão sistemática, diz. Adalberto Pereira não arrisca um palpite sobre a quantidade de leis que realmente estão em vigor. Londrina tem 7.189 leis. O pesquisador histórico da Câmara, Alcides Miranda, estima que apenas 30% estejam sendo cumpridas. Não acho que é tão pouco assim, mas não tenho idéia de números. Por isso a revisão seria importante, argumenta o presidente da Casa.
Ele reconhece que é frustrante para o vereador ter um projeto de lei descumprido. O vereador Antenor Ribeiro (PPB) concorda com Pereira. É como um tiro nágua, compara Atenor, atualmente o segundo colocado na apresentação de projetos, perdendo apenas para Célio Guergoletto (PMDB). Antenor Ribeiro diz avaliar com descrença a criação de uma comissão para rever todas as leis de Londrina. Fico meio com o pé atrás porque temos uma comissão trabalhando há cinco anos na verificação do destino dos terrenos públicos doados que até agora não finalizou o trabalho, argumenta.
Como alternativa, ele propõe a fiscalização por parte do vereador das leis aprovadas. O vereador deve intensificar essa função e se observar seu descumprimento, deve pedir providências ao Poder Judiciário.
O vereador Renato Araújo (PPB) diz que também quer saber quantas leis, de fato, estão em vigor. E se houver algumas que não são úteis vou propor sua revogação, diz. Ele diz que outro expediente que pode ser usado pelo vereador para economizar tempo, papel e saliva é alterações, quando necessárias, em leis já existentes. Não precisa criar novas leis. É preciso usar mais da prática dos incisos e evitar a criação de leis que não são cumpridas. Tem muita coisa ultrapassada, reconhece.


