Câmara investiga suposta propina a Mentor
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terça-feira, 25 de abril de 2006
Denise Madueño<br>Agência Estado 
Brasília - Uma semana depois de encerrado o processo de cassação, o deputado José Mentor (PT-SP) terá de explicar-se, novamente, à Câmara. O corregedor da Casa, Ciro Nogueira (PP-PI), depois de considerar gravíssima a acusação contra Mentor, abriu ontem um processo de investigação para apurar suposto recebimento de R$ 300 mil por ele para livrar o doleiro Richard Andrew de Mol Van Otterloo no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Banestado, que funcionou entre 2003 e 2004 e da qual foi relator. Mentor só não foi notificado ontem da apuração pela Corregedoria porque não foi encontrado em Brasília. A partir da notificação, o deputado do PT de São Paulo terá o prazo de cinco sessões da Casa para apresentar a
defesa.
Um deputado que cobra propina é caso de cassação, adiantou Nogueira. Ele ressaltou, no entanto, que, em primeiro lugar, dará direito de defesa a Mentor e, se o caso for consistente, proporá a criação de uma comissão de sindicância. O assunto deverá ser tratado na reunião da Mesa Diretora da Câmara, comandada pelo presidente da Casa, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), marcada, anteriormente, para hoje. Depois que o deputado do PT apresentar a defesa, caso abra uma sindicância, Nogueira pretende ouvir o depoimento de Otterloo, dos representantes do Ministério Público (MP) e de Mentor, segundo afirmou.
Com base no testemunho do doleiro, o MP encaminhou uma representação contra o deputado do PT à Câmara por suposta participação em crime de extorsão ou corrupção ativa. Otterloo afirmou que pagou R$ 300 mil de propina a Mentor, por meio de um intermediário, para que o nome não fosse incluído no relatório final da CPI. O doleiro disse também que recebeu, antecipadamente, em disquete, o parecer de Mentor antes de ele apresentá-lo à CPI, sem a citação do nome dele.
Condenado a oito anos e dois meses de prisão pelo juiz da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo por crime financeiro, no processo que ficou conhecido por cadeia da felicidade ou caso dos precatórios, Otterloo prestou depoimento, espontaneamente, na busca de obter o benefício com a colaboração. O doleiro disse que era responsável por contas nas quais movimentou cerca de US$ 30 milhões que seriam, segundo ele, repassados no Brasil à família Maluf - Flávio Maluf e o pai, ex-prefeito Paulo Maluf (PP).
No depoimento, Otterloo declarou que procurou o intermediário de Mentor por orientação de Flávio Maluf, que temia que a CPI descobrisse as ligações com o doleiro. No documento encaminhado à Câmara pelo procurador-geral de Justiça do Estado, Rodrigo César Rebello Pinho, além do termo de declaração do doleiro, foram anexados os testemunhos tomados no processo que apura desvio de verbas de Paulo Maluf e cópias de fichas de contas no exterior.


