Câmara indicará relatores do PAC só após o Carnaval
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de fevereiro de 2007
Eugênia Lopes e Denise MadueÀo<BR>Agência Estado 
Brasília - A dificuldade em conciliar os interesses do governo, dos deputados e dos líderes partidários provocou o adiamento da indicação dos parlamentares que vão relatar as medidas provisórias e os projetos de lei do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para depois do Carnaval. Ontem, após reunir-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que anunciará as indicações na próxima quinta-feira.
Até lá, Chinaglia tenta montar um quebra-cabeça buscando peças que, além de agradar aos ministros que estão envolvidos mais diretamente no programa, não criem obstáculos para a tramitação das propostas.
''É natural que o presidente da República tenha interesse no trâmite. É uma proposta que vem do Poder Executivo e depende agora das decisões da Câmara. Informei a ele que estamos construindo uma boa negociação com os governistas e também com os oposicionistas. É nosso papel na Câmara'', afirmou Chinaglia.
O PFL relatará uma das medidas provisórias. ''Nós somos da oposição, temos críticas ao PAC, achamos que o conceito do programa é equivocado, mas, acima de tudo, queremos que o País dê certo e que devemos contribuir para isso'', afirmou o líder do PFL, Onyx Lorenzoni (RS). Para o PFL, foi oferecido a relatoria da MP que amplia os limites operacionais da Caixa Econômica Federal (CEF). Deputados tucanos deverão relatar duas medidas provisórias e um projeto de lei.
Uma das dificuldades do presidente da Câmara para fechar os nomes está em seu próprio partido. O PT quer as principais medidas provisórias, as que tratam de maiores fatias de recursos, nas mãos de deputados de sua bancada. Além disso, os ministros têm apresentado vetos a alguns nomes que são sugeridos.
Como no Congresso a disputa pelo poder faz parte das ações e pressões, Chinaglia enfrenta ainda a pretensão de deputados que o apoiaram na disputa pela presidência da Câmara de serem prestigiados agora com importantes cargos.
''Vamos seguir o critério da proporcionalidade. Vai ter partido que vai ter um pouco mais de relatoria, vai ter partido de vai ter bem menos. Mas isso faz parte de uma composição onde estamos priorizando a representação e a força política da Câmara e, ao mesmo tempo, buscando relatores com perfis apropriados para cada relatoria'', afirmou Chinaglia.
Por trás das articulações e do empenho do presidente da Câmara em montar um grupo de relatores que sejam bem aceitos pelos partidos e pelo governo está o entendimento na Casa de que essa costura política poderá facilitar a tramitação e aprovação do PAC.
''É democrático que todos os que têm representação no Congresso Nacional peguem relatorias. É uma convicção minha e foi um compromisso durante a minha campanha. Disputa política da oposição contra o governo vai acontecer. Mas não creio que isso vai levar a uma relatoria fora do que é razoável, fora do que é do interesse do Brasil'', disse Chinaglia.
As medidas provisórias do PAC passam a trancar a pauta do plenário da Câmara no dia 19 de março. Chinaglia entende não ser possível votar as MPs antes dessa data.


