Câmara gastará R$ 2,5 mi com novo painel eletrônico
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quinta-feira, 16 de outubro de 1997
Agência Estado Brasília 
A Câmara vai gastar cerca de R$ 2,5 mi para comprar um novo painel eletrônico de votação. Os postos serão dotados de identificadoras digitais. Bastará ao deputado encostar o dedo na leitora para que o sistema possa habilitá-lo a votar. A compra do painel será feita por intermédio de licitação internacional, autorizada anteontem pela mesa da Câmara.
Com o novo sistema, todas as 407 cadeiras do plenário serão transformadas em pontos avulsos e as votações, que hoje demoram cerca de uma hora, poderão ser feitas em menos de dez minutos.
Pelo menos 30 empresas do mundo todo se mostraram interessadas em participar da concorrência. O painel do plenário deverá ser integrado a todas as portarias de entrada da Câmara.
Quando o deputado passar por uma das portas, o sistema rastreará à distância a identificação do parlamentar, por microondas. Neste momento, a presença do deputado ficará registrada na Câmara, para a soma de quorum de início de sessão.
No plenário, haverá um segundo sistema de identificação dos deputados. Ao passar pela porta, ocorrerá outro rastreamento da carteira do parlamentar, e o nome dele irá para o painel de presença. Nas votações, haverá quatro opções: sim, não, abstenção e obstrução. Hoje, a obstrução não é registrada. Tem de ser declarada ao microfone. Quando uma bancada faz obstrução, conta-se a presença de todos os seus integrantes, mesmo que algum deles esteja viajando.
O atual sistema eletrônico da Câmara é de 1971, e está sujeito a fraudes. Mesmo com todos os cuidados, ainda permite que um deputado vote por outro. Os casos históricos, conhecidos como pianismo, são muitos. Em 1985, os então deputados Irapuan Costa Junior (GO), Ronan Tito (MG) e Homero Santos (MG) - este ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) - foram flagrados votando por colegas. Nem a publicação da foto deles no momento da irregularidade coibiu fatos semelhantes no futuro.


