Leandro Donatti

Arquivo FolhaEnroscadaPizzatto: missão oficial mesclada com ‘‘atividades diversas’’ põe em risco mandato do parlamentar A mesa executiva da Câmara Federal encontrou a solução para abrandar a possibilidade de cassação de mandato do deputado federal do Paraná, Luciano Pizzatto. O jornal ‘‘Folha de S. Paulo’’ revelou ontem que o deputado extrapolou o limite de faltas durante a convocação extraordinária e foi destituído da relatoria do projeto que institui a nova Lei Ambiental, por estar numa estação de esqui na Itália.
A mesma assessoria da presidência da Câmara que garantia na última semana passada que o deputado do Paraná teve pedido de licença para missão diplomática recusado por Michel Temer (PMDB-SP), informava ontem que Luciano Pizzatto apenas solicitou autorização para ausentar-se de 20 a 29 de janeiro deste ano, para uma viagem à Itália, ‘‘sem ônus para a Casa’’.
Ao invés da cassação, a punição máxima que poderá ser aplicada ao deputado, pelas faltas é a suspensão do repasse da segunda parcela de ajuda de custo, o equivalente a cerca de R$ 8 mil, paga a todos os deputados federais pelo período extra. A secretaria geral da Câmara aguarda uma manifestação da presidência para aplicar a penalidade.
Num ofício datado de 13 de janeiro e tornado a público ontem, Pizzatto admite que aproveitaria a viagem, na qualidade de presidente do grupo parlamentar Brasil-Itália, para elaborar pauta de trabalho do grupo em 98. Mas ressalta que também se dedicaria a ‘‘atividades diversas’’, que poderiam ser de cunho particular como o descanso de três dias com os filhos.
O secretário geral da Câmara, Mozart Viana de Paiva, disse ontem que os parlamentares têm, de acordo com a Constituição Federal, até 120 dias para se ausentarem por questões de foro pessoal. Ele disse ontem que houve ‘‘um ruído de comunicação’’, e que Pizzatto não pode ser punido com a cassação de mandato já que não estava em licença diplomática. ‘‘Não recebe nada em dinheiro, nem perde mandato’’, informou.
A condição de ‘gazeteiro’ a que Pizzatto foi submetido ontem caiu como uma bomba para o deputado. Irritado com a reportagem da ‘‘Folha de S. Paulo’’, que rendeu chamada na primeira página, Pizzatto chegou em Brasília para esclarecer o episódio. Conversou com a bancada federal e só embarcou para o Paraná depois da garantia de que não teria o seu mandato político atingido. Numa entrevista pela manhã, à rádio CBN, o deputado disse estar surpreso com a ‘‘inveracidade dos fatos’’.
Extraoficialmente, o deputado teria acusado seu maior adversário político no PFL, Paulo Cordeiro, de ser o responsável pela situação constrangedora a que foi submetido. Cordeiro quase teve a sua filiação suspensa por pressão de Pizzatto, que alimentou em todo o Estado pedidos de impugnação.
Pizzatto recebeu ontem manifestação de solidariedade de Luiz Carlos Hauly (PSDB), vice-líder do presidente Fernando Henrique na Câmara. Para o tucano, que esteve ontem em Curitiba, assim como a deputada Yeda Crusius (PSDB-RS) - que na semana retrasada protagonizou o episódio do piquenique e da cachoeira -, Pizzatto foi ‘‘atingido injustamente’’. ‘‘Ele é um bom deputado’’, defendeu Hauly.
A posição da Câmara Federal não foi bem vista pelo primeiro suplente da coligação PFL-PTB do Paraná, Nelson Padovani (atualmente no PMDB), que apostava na cassação de Pizzatto para chegar à Câmara. Hoje o peemedebista desembarca em Brasília para pedir explicações. Vai até à liderança do PMDB tentar agendar uma conversa com a mesa executiva da Casa. ‘‘Tanta gente querendo trabalhar, e outros se esquivando’’, disse o suplente, em Cascavel, em entrevista concedida à Folha por telefone.
Padovani, que fez cerca de 30 mil votos em 94, diz que será candidato novamente em 98. ‘‘Eles (a mesa executiva) podem até tentar mascarar, mas acho um absurdo manterem o deputado Luciano Pizzatto na função. Vou fazer de tudo para assumir esta cadeira’’, garantiu.

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