Câmara fica parada e 17 MPs aguardam na fila de votação
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terça-feira, 12 de outubro de 2004
Folhapress 
Brasília - Com o feriado de ontem e 17 medidas provisórias aguardando votação, a Câmara terá mais uma semana sem deliberação. Irritado com a falta de quórum, com o excesso de MPs, a instabilidade na base aliada e com a determinação da oposição de obstruir os trabalhos, o presidente da Câmara, deputado João Paulo Cunha (PT-SP), já avisou que os próximos dias serão dedicados apenas as negociações.
Na última semana, João Paulo chegou a recorrer a ameaças, como o corte de ponto. Depois, conformado, reconheceu que não há clima para votações. Ficou acertado que o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, vai tentar aliviar as tensões na Câmara.
Em reunião realizada na casa de João Paulo, na semana passada, o governo teve a dimensão do racha dentro da base aliada. PPS, PL, PMDB e PTB estão descontentes com a posição do Planalto, principalmente por causa do apoio aos candidatos do PT nas eleições municipais, em detrimento dos partidos da base.
Além das crises na base, a oposição continua a obstruir os trabalhos porque o governo se recusou sistematicamente a dar quórum nas reuniões das comissões permanentes e especiais durante o chamado esforço concentrado.
Para o governo, o atraso nas votações pode representar a necessidade de edição de mais uma medida provisória. Desta vez, para tratar do plantio e comercialização de transgênicos na safra 2004/2005. O Senado aprovou com urgência a Lei de Biossegurança, com o objetivo de evitar mais um desgaste para o governo, que não queria editar uma nova MP sobre transgênicos. No entanto, a safra da soja começa a ser plantada neste mês e os produtores temem mais um período de ilegalidade caso a Câmara não vote a matéria nos próximos dias.


