Brasília - A Câmara dos Deputados recebeu com alívio o anúncio da renúncia de seu presidente, Severino Cavalcanti (PP-PE). Para os parlamentares, a saída de Severino servirá para o Legislativo tentar resgatar sua imagem, desgastada com denúncias de envolvimento de deputados com o ''mensalão''.
Severino, que até agora não foi implicado no ''mensalão'', caiu porque foi acusado de pegar um ''mensalinho''. Somente representantes do chamado baixo clero (parlamentares sem expressão na Câmara) lamentaram o afastamento de seu principal representante.
Fiel ao presidente que renunciou, João Caldas (PL-AL) elogiou Severino Cavalcanti. ''Ele quebrou o status quo'', acredita. ''Hoje não tem mais ninguém que manipule a Câmara e isso se deve à sua ação.''
Caldas, que durante o tempo de calvário de Severino visitou-o quase que diariamente na residência oficial da presidência da Câmara, avaliou que não havia como resistir ''à pressão da opinião pública, da fiscalização da mídia e do compromisso da Câmara com a instituição''. Para Caldas, ''não existe baixo clero, o que há é uma minoria mobilizada que desarticula a maioria desmobilizada.''
Primeiro a defender o afastamento de Severino da presidência da Câmara, em um bate-boca no qual afirmou que o então presidente era ''um desastre para a imagem do Brasil'', Fernando Gabeira (PV-RJ) estava satisfeito com o desfecho de uma parte da crise. ''A renúncia foi mais um passo dado no sentido de recuperar a credibilidade da Câmara'', afirmou, lembrando da responsabilidade que o Legislativo tem pela frente: ''Mas a renúncia, em si, não basta. É preciso julgar todos os deputados envolvidos nas denúncias''.

mockup