Lucinéia Parra
De Maringá
Os vereadores do município de Santa Inês (120 quilômetros ao norte de Maringá) estão revoltados com o prefeito Antonio Scaldelai (PFL). Há cerca de seis meses, o prefeito transferiu o motorista da prefeitura João de Freitas – que também é vereador no município, pelo PTB – para o serviço de coleta de lixo. Há aproximadamente um mês, o prefeito fez nova transferência, remanejando Freitas para trabalhar como servente de pedreiro no Cemitério Municipal. Segundo os vereadores, a transferência é uma retaliação do prefeito porque a Câmara retirou de pauta um projeto do Executivo que previa uma complementação orçamentária de R$ 50 mil para a compra de livros e computadores.
De acordo com o presidente da Câmara, Aparecido Lourenço (PMDB), o Legislativo entendeu que o valor era absurdo para o fim que se destina. Conforme o projeto, R$ 42 mil seriam para a compra de livros e R$ 8 mil para computadores e equipamentos de escritório. O projeto tinha sido aprovado em primeira discussão, mas foi retirado de pauta no dia 6 de outubro com o voto de cinco vereadores, inclusive de João de Freitas. ‘‘Não tem cabimento gastar R$ 42 mil em livros porque não temos nem onde colocar tantos livros assim. E além disso, temos outras prioridades porque na saúde falta até Melhoral Infantil e termômetro’’, justificou Lourenço.
Lourenço também se diz vítima do prefeito. Ele era operador de máquinas no município, mas desde o início do ano está ‘‘encostado’’ na prefeitura por determinação do prefeito. ‘‘Ele (prefeito) só faz o que ele quer. Quando a gente veta um projeto dele ou retira de pauta, ele começa as sanções. Estou afastado da minha função na prefeitura porque não sou mais do mesmo partido dele’’, afirmou Lourenço.
‘‘Além do projeto ser retirado de pauta, o prefeito ficou ainda mais bravo porque nós (vereadores) nos reunimos e fizemos uma festa para as crianças no Dia da Criança e ele não fez nada’’, disse Freitas. Segundo o vereador, o prefeito só pára a perseguição quando a Câmara aprova o que ele quer.
Sobre a transferência para servente de pedreiro, Freitas afirmou que vai fazer o serviço. ‘‘Eu já entrei na Justiça quando ele fez a primeira transferência e ganhei em primeira instância, mas o prefeito recorreu. Agora eu vou cumprir as ordens, mas não vou me curvar diante das retaliações do prefeito de jeito nenhum’’. O prefeito Antonio Scaldelai não foi localizado pela Folha.

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