A Câmara Municipal de Londrina fez a exoneração ''a pedido'' da assessora e cabeleireira Vanderléia Faria da Mota e mais quatro assessores do gabinete de Osvaldo Bergamin (PMDB) - vereador que está afastado judicialmente do cargo por suspeita de envolvimento em atos de concussão. Durante conversa telefônica na última sexta-feira, uma jornalista obteve o agendamento de dois atendimentos no salão de beleza durante horário de sessão da Câmara, às terças e quintas-feiras à tarde. Vanderléia da Mota justificou que seu trabalho é comunitário e prescinde de sua presença na Câmara Municipal.
Em entrevista à FOLHA, o vereador Osvaldo Bergamin reconheceu que a assessora não presta expediente no Legislativo e que seu trabalho é angariar votos para ele. Segundo Bergamin, ela presta um bom serviço à comunidade.
Com a repercussão negativa do caso, o vereador procurou o presidente da Câmara, Sidney de Souza, no último sábado, e pediu o desligamento de todos os seus assessores - entre eles o marido de Vanderléia, Sérgio Sampaio da Mota.
O promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Cláudio Esteves, disse que requisitou da Câmara cópia da lista de todos os comissionados e das obrigações que eles têm com a administração pública. A assessora Vanderléia da Mota foi intimada a prestar depoimento ainda durante esta semana.
O presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), e o corregedor, Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), estiveram ontem no MP, mas segundo Esteves, não acrescentaram elementos novos à investigações. ''Como fizemos um pedido por escrito, vamos aguardar a resposta''.
O presidente da Comissão de Ética, Roberto Kanashiro (PSDB), disse que Bergamin pode ter ''facilitado'' e deixado ''um pouco solto'' o cumprimento das obrigações dos comissionados. Segundo ele, após o término do escândalo que atingiu a Câmara em janeiro, a comissão vai sugerir mudanças no código de ética para dar mais ''transparência'' ao Legislativo municipal.
O procurador jurídico, Airvaldo Natal Stella Alves, disse que vai aprofundar o estudo sobre as obrigações dos servidores em comissão, mas alegou que qualquer servidor público deve atender ao interesse da ''comunidade''. Além disso, Alves disse que a declaração de Bergamin de que a assessora arrecadava votos para ele poderá lhe render problemas com a Justiça Eleitoral.

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