Câmara evita discussão sobre caixa 2 do PT
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terça-feira, 09 de agosto de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
As investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Eleitoral (MP) sobre um suposto esquema de caixa 2 na campanha à reeleição de Nedson Micheleti (PT) não vão repercutir na Câmara de Vereadores de Londrina. Ontem, uma semana após a volta dos trabalhos no Legislativo, a ''cautela'' adotada nos discursos se manteve mesmo com o pedido de abertura de uma Comissão Especial de Investigação (CEI) já pronto, mas ainda não encaminhado a votação. A redação é do petebista Luiz Carlos Tamarozzi, que condicionou o próximo passo aos fatos apresentados pela PF ao MP. ''Agora é super prematuro; juridficamente não cabe nenhum questionamento nosso. Se a polícia comprovar e passar à Promotoria, aí temos um fato concreto para nos basear'', disse.
Para o vereador Gláudio Renato de Lima (PT), o aparente silêncio dos colegas no Plenário até agora, as manifestações se deram apenas nos corredores da Câmara, e quando levantadas pela imprensa está aguardando a posição da PF. ''Não temos poder de polícia, mas, se forem verídicas as denúncias, é inevitável que tomemos providências'', avisou.
O discurso de Lima foi de encontro ao do recém-eleito líder do Executivo na Casa, Lourival Germano. Na avaliação dele, os documentos apresentados pela PF de supostas contas não declaradas pelo PT e a informação do Sindicombustíveis de gastos de cerca de R$ 50 mil também não oficiais, não são suficientes para definir qualquer procedimento. ''Tudo o que a gente falar aqui seriam conjecturas'', minimizou. Sobre o pedido de abertura de CEI já redigido, Germano se disse ''surpreso''.
O presidente do Legislativo, Orlando Bonilha (PL), junto aos demais vereadores eleitos e reeleitos pela coligação do PT, também foi citado pela autora da denúncia de caixa 2, a ex-assessora Soraya Garcia, como suposto beneficiário do dinheiro. Todos negam. ''Lógico que se tiver algo que comprove o caixa 2, vamos atrás. Mas, por enquanto, nem se comprovou ainda a veracidade dos documentos apresentados'', declarou.
Recém-integrado ao PPS, Tercílio Turini afirmou que a ''cautela'' adotada pelos colegas é justamente para evitar que a discussão seja relacionada a todas as campanhas, o que, segundo ele, seria uma espécie de ''caça às bruxas desnecessária''. Marcelo Belinati, do PP, foi o único a destoar do grupo. Favorável à abertura de CEI, o parlamentar confessou que, mesmo se aberta, a Comissão o deixaria frustrado, face a maioria que o prefeito Nedson Micheleti detém hoje na Casa. ''A CEI é um caminho para apurar, não necessariamente para punir. Mas como vários vereadores foram citados pela Soraya, acho difícil que saia alguma coisa'', resumiu.
Contrária à abertura de CEI com base no regimento interno da Câmara segundo o qual o procedimento pode ser feito mediante apenas o protocolo de uma denúncia , mas favorável ao debate do assunto em Plenário, Sandra Graça (sem partido) tentou abrir a discussão ontem. Mas foi rejeitado, após uma hora de discussão, o requerimento solicitando a presença de um representante da PF e do MP para levar informações das investigações aos vereadores. ''Se for comprovado que houve uso de recurso público nesse caixa 2, aí sim seremos obrigados a abrir a CEI'', disse a vereadora.


