Câmara espera documentos do MP para investigar Gouvêa
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sexta-feira, 04 de setembro de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Representantes da Mesa Executiva, da Comissão de Ética e da Procuradoria Jurídica da Câmara de Vereadores de Londrina se reuniram ontem para analisar a investigação que corre no Ministério Público (MP) contra o vereador Rodrigo Gouvêa (PRP). O mais jovem dos parlamentares da Casa é acusado de supostamente ter feito cobranças ao empresário de construção civil Maurício Costa, em junho passado, para que votasse a favor do projeto ''Minha Casa, Minha Vida'', do Executivo, com obras executadas pela construtora da qual Costa é sócio. Ano passado, nada menos que nove dos 18 vereadores empossados acabaram réus em processos por esse tipo de crime - concussão - após um deles, Henrique Barros, ter sido preso em janeiro com R$ 9,9 mil que teriam sido originários de propina coletada de empresários. Gouvêa integra a chamada ''renovação de 70%'' do plenário'' - um dos efeitos do escândalo de 2008.
Além do empresário, quem também depôs à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público foi o presidente da Casa, José Roque Neto (PTB). Ontem à tarde, após a reunião com membros da Mesa e da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar, mais a procuradora da Casa, Michelle Bazo, Roque Neto anunciou que a Câmara vai requisitar oficialmente à Promotoria cópias dos dois depoimentos a fim de que eles respaldem eventual procedimento administrativo que analise a conduta do vereador. ''Os promotores nos mandando isso, a Mesa analisa e encaminha para a Comissão de Ética verificar que providências terão de ser tomadas'', disse Roque Neto. ''Na verdade, o processo contra um vereador é mediante exclusivamente representação contra ele. Nesse caso, tanto a Comissão de Ética quanto a Corregedoria estão envolvidas; será analisada oportunamente como será feito isso (representação), se for o caso'', completou a procuradora, segundo a qual ''a corregedoria pode tomar providências, se achar necessário''.
Roque Neto recuou no que dissera na véspera - quando defendera o sigilo pedido pela Promotoria - e afirmou que Costa o procurou no mesmo dia em que teria ouvido de Gouvêa que, para aprovar em primeira discussão a matéria do Executivo (o empresário não concordava com apontamentos da Comissão de Justiça, cujo parecer foi apoiado por Gouvêa, mas, segundo Costa e a Caixa Econômica, inviabilizariam a matéria), teria de ''levar alguma coisa''. O empresário teria inclusive tentado falar sobre o assunto em plenário, o que foi evitado.
Entre o fato relatado a ele por Costa naquela sessão de junho e o depoimento ao Ministério Público, no último dia 24, foram mais de 60 dias. Por que a Presidência não tomou nenhuma providência em todo esse intercurso de tempo? O presidente do Legislativo justificou: não teve ''o insight necessário''.
''O Maurício falou comigo e eu já tinha que voltar ao plenário. Confesso que nem levei em conta, fui ingênuo naquele momento por não ter pedido algo por escrito (ao empresário) e por não ter tido o insight de chamar o vereador e questioná-lo. Não caiu a minha ficha em tomar essa atitude naquele momento'', justificou.
A FOLHA questionou o presidente se a Casa, ao esperar documentos da Promotoria para começar a agir, não fica refém das ações de um poder paralelo. ''Cada um tem seu modo trabalhar - analisando com a Comissão de Ética, achamos por bem que a partir de agora qualquer coisa que aconteça lá em relação à legislatura atual a gente possa pedir que mandem documentos e a comissão analise'', resumiu.
O promotor Renato de Lima Castro justificou o porquê de não enviar partes da investigação: ''Enviamos apenas a conclusão do que se está investigando. Encaminhar partes de um procedimento, como estão pedindo, é absolutamente contra os princípios de investigação - eles que façam uma investigação paralela. Nós nunca vamos compartilhar esse tipo de iniciativa'', encerrou.
A FOLHA tentou contato ontem novamente com o empresário que teria sido vítima do suposto achaque, mas ele estava com o celular desligado. Gouvêa também não foi localizado. Pela assessoria de imprensa da Câmara, a informação era que ele só se manifestaria sobre o assunto após consultar um advogado.
'Fantasma'
Também ontem, a Procuradoria da Casa recebeu para análise que deve ficar pronta na próxima terça uma representação que acusa o vereador Joel Garcia (PDT) de supostamente manter uma assessora fantasma em seu gabinete. A medida é assinada pela enfermeira Regina Amâncio, mas, segundo a procuradora, aparentemente ''sem indícios de prova material''. ''A representação diz apenas que o vereador mantém uma pessoa nomeada em cargo em comissão que não é vista trabalhando. Vamos analisar para saber se tem algum fundamento'', resumiu a procuradora. Garcia não foi localizado para comentar o assunto.


