Brasília - Na tentativa de diminuir o desgaste político das instituições, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e 19 líderes partidários decidiram ontem lançar um movimento de combate à corrupção. Sem ter ainda medidas concretas, os líderes usaram as três horas e meia de reunião para concluir que a crise política é grave, que a indignação da sociedade é grande e que é preciso dar uma resposta a isso. ''Ninguém suporta mais esse processo recorrente de corrupção continuada'', argumentou Chinaglia.
Na reunião, houve promessas de enfrentar o corporativismo na Casa, os diferentes lobbies e os interesses de deputados e de grupos de parlamentares. ''Se trata do instinto de sobrevivência da espécie: do parlamento e do parlamentar'', resumiu o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE). ''Se algo não for feito com muita coragem, acaba o mandato parlamentar'', sentenciou.
Em meio ao escândalo da Operação Navalha, os líderes afirmaram que não haverá complacência com o deputado que cometeu erros. ''Se houver algum deputado envolvido (em corrupção), quem vai resolver é ele'', disse Chinaglia. Os líderes classificaram de ''muito franca'' a reunião.
Mais de 30 idéias foram debatidas na reunião e houve cobranças do Poder Judiciário. Uma das medidas deverá ser exigir que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue rapidamente os processos que envolvam deputados. ''Cadê as condenações das pessoas que as diversas CPIs apontaram?'', questionou o líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO). ''Está na hora de cobrar mudança da Justiça'', afirmou o líder do PSDB, Antonio Carlos Pannunzio (SP): ''Temos de pôr fim ao sentimento generalizado de impunidade no País.''
Os líderes têm até a próxima semana para apresentar propostas de combate a corrupção. Algumas delas deverão atingir as emendas de bancadas feitas ao Orçamento da União, identificadas como problemáticas.

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