Câmara entrega homenagem a ex-preso político
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quinta-feira, 04 de março de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
''Trago, colado na parede da memória, aqueles que não se amedrontaram com o ranger de dentes e o ódio dos princípios das trevas levando a solidariedade e a palavra amiga de esperança que a paz retornaria ao nosso país, às famílias dos que purgavam nas câmaras de torturas.'' O trecho faz parte de um dos textos escritos por João Alberto Einecke, ex-preso político, que encontra hoje na escrita um prazer e uma válvula de escape para minimizar as recordações da tortura sofrida entre 1975 e 1978, quando permaneceu preso por ser um militante comunista na época da ditadura.
Ontem, porém, o dia foi de alegria. Aos 59 anos, Einecke recebeu da Câmara de Vereadores de Londrina o Diploma de Reconhecimento Público, por iniciativa do vereador Carlos Alberto Bordin (PP). ''Essa homenagem eu estendo a todos os meus companheiros que estiveram presos'', dedicou Einecke.
Mesmo em liberdade há mais de 20 anos, Einecke traz viva na memória a rotina de dor e medo. ''Não sabíamos o que acontecia aqui fora. Éramos torturados com choque, pau de arara e por vezes eles enchiam uma garrafa com urina e obrigavam os presos a beber'', relatou. As sequelas no corpo não deixam Einecke esquecer a humilhação sofrida. Ele perdeu um dos testículos devido aos choques que levou e também a audição em um dos ouvidos.
Com a imprensa censurada, Einecke contou que as únicas informações verdadeiras que eles obtinham eram através da BBC de Londres em um rádio mantido às escondidas. A família só foi localizá-lo seis meses após a prisão, quando ele já estava em Curitiba. Antes, permaneceu preso em um quartel de Apucarana. O emprego que tinha na época, na Viação Garcia, foi perdido e ele nunca mais teve uma fonte de renda fixa.
Hoje, Einecke vive com sua segunda esposa, Cleusa Gonçalves, em uma casa que conseguiu comprar com os R$ 30 mil que recebeu de uma indenização. Sem emprego nem aposentadoria, ele depende da ajuda de familiares para sobreviver e espera a decisão do Tribunal Superior de Justiça, onde corre outro pedido de indenização por danos morais contra a União.


