Um tumulto provocado ontem pelo ambientalista João Batista de Souza, o João das Águas, culminou com o encerramento da sessão ordinária da Câmara Municipal de Londrina (CML) sem que qualquer projeto de lei tenha sido apreciado. A medida foi tomada após "invasão" do plenário, em um "protesto pacífico". João das Águas permaneceu sentado ao lado dos parlamentares, o que é proibido pelo artigo 104 do Regimento Interno.
Com o encerramento antes da Ordem do Dia, pautas importantes como a criação da Nota Londrina – que reverte parte do Imposto Sobre Serviços (ISS) pago para abatimento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) -; a criação dos programas de incentivo ao verde (Proverde) e à inovação; e a regulamentação da aplicação do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) deixaram de ser apreciadas.
A abertura para que o ambientalista se manifestasse foi pedida por Jamil Janene (PP) e criou uma saia justa para a Câmara, que rejeitou, na sessão anterior, manifestação da ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Márcia Lopes. Oficialmente, a negativa foi justificada com falta de tempo, mas também teve o intuito de poupar Péricles Deliberador (PMN).
Márcia pretendia falar sobre a importância dos projetos de transferência de renda em resposta à manifestação do parlamentar, que defendeu a cassação do direito ao voto de beneficiados pelo Bolsa Família para Presidência da República por considerar um "voto comprado".
João das Águas queria ser ouvido para cobrar um posicionamento da CML sobre seu projeto conhecido como Eco Metrópole. Ele reclama que a proposta foi apresentada ao Executivo e está engavetada. Antes mesmo da sessão, pela manhã, ele já havia publicado vídeos na internet avisando sobre suas ações e atacando o prefeito Alexandre Kireeff (PSD) e os vereadores.
O pedido de Jamil fez com que a sessão fosse suspensa para reunião fechada. O pepista afirmou que sugeriu a palavra a João das Águas porque o presidente da Câmara, Professor Fabinho (PPS), já havia prometido antes ao ambientalista. Jamil, entretanto, foi contra a manifestação de Márcia Lopes porque "iria questionar a fala de um vereador". Fabinho, entretanto, disse que tentou contornar a situação para que o ambientalista deixasse o plenário, mas que precisou encerrar a sessão devido à forma desrespeitosa como ele se comportou, tentando forçar os parlamentares. Após o encerramento, João das Águas permaneceu na CML e prometia dormir ali, além de retornar outras vezes até ser ouvido.

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