A Câmara terá 238 novos deputados federais em relação às eleições de 1994, num total de 513 deputados federais possíveis. O resultado das urnas aponta uma renovação de 46,3% no número de parlamentares na Câmara. Será justamente com essa Câmara repleta de novos parlamentares que o presidente Fernando Henrique Cardoso precisará negociar a aprovação das propostas de interesse do governo a partir de 1999.
A taxa de renovação da Câmara representa a mudança de quase a metade dos componentes, fazendo com que o governo seja obrigado a lidar com a incerteza no comportamento desses novos parlamentares, pelo menos nos três primeiros meses de trabalhos da próxima legislatura. Alguns deputados que assumiram as vagas depois de terminarem a eleição de 1994 como suplentes conseguiram garantir um mandato direto dessa vez. Esse número, no entanto, reduz pouco o grau de incerteza que os líderes governistas esperam encontrar na Câmara nos primeiros meses de 1999.
A dúvida surge do fato de acordo com o qual a experiência no Congresso mostra que mesmo parlamentares de partidos integrantes da base de apoio do governo podem votar contra essa orientação. É justamente essa nova ‘‘taxa de dissidência’’ que preocupa o governo, pois somente será possível calculá-la depois de votações importantes.
O governo federal pode comemorar pelo menos um fato em relação à questão da ‘‘taxa de dissidência’’. O deputado federal Paes de Andrade (CE), que comandava o bloco dissidente do PMDB e era o presidente nacional do partido, não estará no Congresso na próxima legislatura, uma vez que perdeu a corrida por uma vaga no Senado para o tucano Luiz Pontes. Além disso, Andrade, que normalmente comandava uma bancada de quase 20 dissidentes do PMDB, também não terá mais o comando do partido, que será presidido pelo senador Jáder Barbalho (PA).
A bancada que sofreu a maior renovação foi a do Acre. Das oito vagas disponíveis, sete foram ocupadas por parlamentares que não tinham sido eleitos na votação de 1994. Alguns Estados renovaram pelo menos a metade das bancadas, como ocorreu no Amapá, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rondônia, Santa Catarina e Sergipe. São Paulo teve renovação significativa da bancada, com 33 novos deputados em 70 possíveis.
Os Estados que sofreram menos mudanças foram Tocantins, com apenas dois novos deputados em oito possíveis e, proporcionalmente, a Bahia, com 13 novos em 39 possíveis.
Se as mudanças na Câmara podem significar uma incógnita nos primeiros meses de 1999, no Senado, a situação é mais tranquila. Apenas um terço das vagas do Senado esteve em jogo nas últimas eleições. O resultado das urnas somado à antiga composição do Senado garante ao governo margem segura nas votações.

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