Câmara e Senado travam guerra na estréia de Tebet
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quarta-feira, 26 de setembro de 2001
Agência Estado<br> De Brasília 
Até o terrorista Osama bin Laden entrou na guerra da Câmara com o Senado, iniciada na noite de terça-feira. E, apesar dos apelos para a paz feitos por parlamentares pacifistas, não houve tréguas. Senadores anunciam que vão pedir a abertura de processo por quebra de decoro contra os deputados que xingaram o presidente do Senado e do Congresso, Ramez Tebet (PMDB-MS).
Os deputados envolvidos, por sua vez - entre eles Sérgio Miranda (PC do B-MG), João Paulo (PT-SP), Luís Sérgio (PT-RJ), Inácio Arruda (PC do B-CE) e Regis Cavalcanti (PPS-AL) - anunciam que irão ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado para pedir a abertura de processo por quebra de decoro contra o senador Tebet.
Afirmam ainda que vão ao Supremo Tribunal Federal (STF) com mandado de segurança para anular a sessão presidida por Tebet. Enquanto isso, o líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA), pediu a demissão do secretário-geral da Mesa do Senado, Raimundo Carreiro, por erros sucessivos na interpretação do regimento, o que estaria prejudicando a Câmara.
A confusão surgiu porque, na sessão do Congresso que mudou a destinação da verbas do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust), Tebet não remeteu a redação final da emenda para a Comissão de Orçamento. Pelo regimento interno, toda mudança na legislação relacionada com o Orçamento da União deve, necessariamente, voltar à Comissão de Orçamento. Trata-se de um dispositivo de segurança, criado depois da CPI do Orçamento, para evitar que partes de leis referentes a recursos fossem alteradas no plenário.
Sob vaias e gritaria de ''Bin Laden, ladrão, larápio, rábula do Pantanal e fujão'', Tebet foi tão atacado pelos parlamentares de oposição logo depois de tomar a decisão de manter a redação final a cargo do próprio plenário, que teve de suspender a sessão. Era a primeira vez que Tebet presidia uma sessão do Congresso. Ao reabri-la, não houve condição de levar os trabalhos adiante, porque a gritaria não parava.
Houve até quem gritasse: ''Tragam o Jader (Barbalho, que renunciou ao cargo de presidente) de volta''. Tebet encerrou a sessão, desceu da Mesa da Câmara e foi para seu gabinete, no Senado, sob proteção de senadores amigos e de seguranças.


