Câmara e PMDB analisam a prisão
Paralelamente à investigação do Ministério Público (MP), a Comissão de Ética da Câmara de Vereadores se reuniu ontem para analisar a possibilidade ou não de iniciar processo de cassação, suspensão, advertência ou afastamento do vereador Henrique Barros (PMDB) da Mesa Executiva. Desde janeiro do ano passado, Barros, 29 anos e hoje no segundo mandato, ocupa a vaga de segundo secretário, além de líder do partido no plenário.
A comissão se reuniu no final da manhã com dois assessores jurídicos da Casa, uma hora depois da convocação dos membros. De acordo com o presidente do grupo, vereador Roberto Kanashiro (PSDB), nos próximos dias será analisado que procedimento deverá ser adotado - a princípio, contudo, o tucano descartou o pedido de informações à Promotoria.
''Vamos aguardar, pois, se a comissão toma qualquer atitude nesse sentido, avançaria no processo e partiria à investigação; seria precipitado. Por ora, o grupo está em vigília'', disse. Por outro lado, o vereador lembrou que, independentemente de o recesso terminar apenas no início de fevereiro, a comissão ''estará de sobreaviso'' a eventuais denúncias que venham a ser protocoladas, na Mesa Executiva, por qualquer cidadão ou partido político. ''Uma situação dessas seria encaminhada pela Mesa à análise jurídica, e, então, trazida à Comissão de Ética'', exemplifico.
Conforme Kanashiro, outra possibilidade seria um ''fato concreto, embasado com provas'' - que poderia vir, por exemplo, em uma denúncia da Promotoria contra o vereador. ''Embasada com fatos e provas, tal situação desencadearia, sem dúvida, um processo de cassação ou afastamento.'' Questionado sobre os reflexos da prisão em flagrante de Barros à imagem da Casa, o tucano respondeu: ''Em 15 anos que estou na Câmara, é a primeira vez que vejo um companheiro atrás das grades. Vivemos um momento político muito ruim, isso só complica ainda mais''.
A prisão fez com que a Executiva Municipal do PMDB também convocasse reunião para debater o assunto - será hoje às 10 horas, na sede do partido. O presidente do diretório, deputado estadual Luiz Eduardo Cheida, explicou que será discutido o possível afastamento de Barros da liderança da sigla, na Câmara, posição aventada depois de uma conversa de sete minutos, à tarde, entre ele e o promotor Cláudio Esteves.
''A liderança é uma espécie de confiança que a Executiva outorga ao vereador. Como ele responde a processo e foi preso em flagrante por uma situação de excepcional anormalidade, esse afastamento pode ser votado'', afirmou. Cheida negou, por ora, iniciativas pela expulsão de Barros. ''Vamos primeiro acionar a comissão de ética do partido e estabelecer um calendário, pois ninguém ainda falou em expulsá-lo.'' (J.G.)





