A Câmara de Vereadores de Londrina negocia com o prefeito Nedson Micheleti (PT) a elaboração de um 'pacotaço' em favor da venda da Sercomtel Celular. De início, a medida deve ser constituída de dois projetos de lei. Do primeiro, constaria a revogação da lei municipal que institui a necessidade de plebiscito para venda da empresa, aliada ao pedido de autorização legislativa para a privatização. Já o segundo relacionaria a destinação dos recursos obtidos com eventual negociação da Celular à realização de obras de infra-estrutura, sem possibilidade de gastos com custeio. A medida seria semelhante à criação da Conselho de Gestão Financeira (Cogefi), em 1998, ante a venda dos 45% de ações da telefônica, à Copel, por R$ 186 milhões.
Nedson não quis se manifestar ontem sobre a suposta intenção de partir para a privatização da Celular - até semana passada, contudo, o prefeito defendia que só a venda de todo o grupo compensaria. A mudança de rumo teria iniciado após o presidente da Copel, Rubens Ghilardi, desistir da estadualização pretendida pelo Município. No início da semana, Nedson admitira que, a menos que houvesse condições políticas para tal, junto ao Legislativo, a hipótese da privatização ficaria apenas a seu sucessor.
Desde essa última manifestação de Nedson, porém, vereadores da base aliada saíram em defesa da retomada do debate ainda este ano. Aliás, conforme o líder do Executivo na Câmara, Gláudio Renato de Lima, alguns deles inclusive vêm conversando com o prefeito, esta semana, no sentido específico de elaboração da proposta pró-venda da Celular.
''Como o prefeito afirmou esta semana que não mandaria projeto à Casa para ser novamente rejeitado, conversei com outros vereadores e eles também, com Nedson, a fim de retomar o debate'', disse, salientando que o debate é justamente norteado pelo encaminhamento dos dois projetos de lei, até o fim do ano.
Contudo, de acordo com Gláudio, ''ainda não há nada de concreto'' sobre o assunto. Quanto ao segundo projeto, o vereador explicou que seria uma forma de ''deixar a população mais segura'' sobre o dinheiro oriundo da venda. ''É uma lei específica que pode elencar, por exemplo, que todo o investimento desse recurso poderá ser acompanhado pelas entidades civis por meio de um site'', explicou.
Se por um lado o líder do prefeito admite a sondagem em meio a um grupo de vereadores aliados, por outro, até aqueles que se manifestavam contra a venda acabaram conversando com o prefeito. É o caso, por exemplo - pelo que a FOLHA apurou -, do autor da lei do plebiscito, Tercílio Turini (PPS). O vereador disse que teria falado ontem de manhã com Nedson sobre ''outro projeto de lei'', mas confirmou ter ouvido dele a pretensão de se revogar a consulta popular.
''Disse ao prefeito que sou contrário à revogação, mas até que me provem o contrário: com informações para o debate e conhecendo a posição dos funcionários da Sercomtel'', ressalvou Turini.

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