Câmara é cobrada por lentidão em investigações
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terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
Eleitores londrinenses, indignados com a lentidão nas investigações das denúncias de corrupção envolvendo vereadores, estão cobrando da Câmara Municipal uma resposta às três representações por quebra de decoro parlamentar protocoladas no primeiro semestre. As três denúncias, relativas às suspeitas de pagamento de propina nos casos que ficaram conhecidos como ''Shirogohan'', ''Lista do Caldarelli'' e ''Mensalinho da TCGL'', envolvem 10 vereadores - seis efetivos e quatro afastados judicialmente.
Na sexta-feira, a Câmara recebeu um pedido oficial de informações da enfermeira Regina Maria Amâncio. No documento, ela justifica que ''as denúncias causaram grande impacto na comunidade (...), entretanto até esta data a Mesa Diretora não se pronunciou e o período legislativo está se encerrando''. A enfermeira pede uma resposta aos questionamentos em ''caráter de urgência''.
As representações por quebra de decoro parlamentar podem levar à abertura de processo disciplinar e até à cassação do mandato em caso de condenação. As suspeitas de corrupção nos casos ''Shirogohan'' e ''Lista do Caldarelli'' já levaram ao ajuizamento de ações cíveis e criminais pelo Ministério Público. O ''Mensalinho'' permanece sob investigações da promotoria.
O vereador Antenor Ribeiro (PP), que era suplente e assumiu no início do ano em razão do afastamento do ex-vereador Henrique Barros (sem partido), reconheceu que a pressão popular é grande. De acordo com ele, faz bastante tempo que a Mesa Diretora não informa o plenário sobre o andamento das investigações.
''A gente tem recebido e-mails reclamando disso. Ontem, recebi a mensagem de uma senhora dizendo que tudo aqui acaba em pizza. A demora só engrossa esse entendimento'', disse o vereador. Ele prometeu levantar o assunto na sessão desta quarta-feira.
Substituição
Na semana passada, por orientação da Procuradoria Jurídica, a Câmara constituiu uma Mesa Diretora substituta para analisar as representações. Isso, porque dos cinco membros, três são citados nas denúncias: o presidente Sidney de Souza (PTB), Rubens Canizares (PHS) e Pastor Renato Lemes (PRB). Entraram como substitutos os vereadores Tercílio Turini (PPS), Roberto Kanashiro (PSDB) e Paulo Arildo (PSDB). Em decorrência do impedimento de Sidney, o processo é conduzido pela vereadora Maria Ângela Santini (PT).
A vereadora alegou ontem que a demora decorre da dificuldade de realizar uma reunião com os cinco membros da Mesa Diretora. Ela explicou que as representações podem seguir três caminhos: arquivamento, abertura de processo ou encaminhamento para os vereadores da próxima legislatura.


