Câmara dos Deputado retoma votações
Agência Estado
A Câmara dos Deputados deverá retomar as votações nesta semana, depois de um mês com a pauta trancada pela falta de confiança do governo em sua base de sustentação política. Os líderes governistas, que vinham obstruindo as sessões com o adiamento de um projeto com prioridade absoluta na pauta de votação, devem destravar a pauta e permitir que o plenário discuta a constitucionalidade da proposta de renegociação das dívidas dos produtores rurais, aprovada na Comissão de Agricultura e rejeitada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
Não vejo motivo para a pauta continuar obstruída, afirmou ontem o vice-líder do PFL na Câmara, Pauderney Avelino (AM). Na avaliação dele, a poeira levantada pelo caminhonaço dos produtores rurais já baixou e a base governista deverá reafirmar sua lealdade apesar dos maus-tratos do governo. O deputado considera que o governo está agindo para resolver tanto o problema dos produtores quanto as demais queixas dos parlamentares.
Avelino acredita que o discurso de unidade e a demonstração de autoridade do presidente Fernando Henrique Cardoso no episódio da demissão do ministro do Desenvolvimento, Clóvis Carvalho, serão materializados nas próximas votações do Congresso. Com a retomada do comando do governo pelo presidente, a base passa a ter mais confiança, afirma, observando que o presidente parecia ter desanimado e largado as rédeas deixando o governo à deriva.
O primeiro projeto a ser votado pelo plenário da Câmara deverá ser o que trata da Defensoria Pública da União. Embora não seja um projeto polêmico, a votação dele vem sendo adiada há quatro semanas para impedir que o plenário aprecie os recursos da oposição contra a decisão da CCJ, que considerou inconstitucional o projeto de renegociação das dívidas rurais.
A unidade da base governista será testada também na reunião do colégio de líderes com o presidente do Congresso, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), para decidir a qual partido caberá a relatoria do Plano Plurianual de Investimentos, que o governo denominou Avança Brasil. PMDB, PFL e PSDB disputam a relatoria valendo-se de imperfeições do regimento da Comissão Mista de Planos e Orçamento.
Outra demonstração de lealdade da base governista poderá acontecer amanhã no Senado, quando a CPI do Sistema Financeiro deverá decidir se convoca ou não o ministro da Fazenda, Pedro Malan, para depor. O relator da CPI, senador João Alberto (PMDB-MA), pretende evitar a participação do ministro em uma audiência pública. Ele quer poupar o ministro do constrangimento de explicar a demissão de Francisco Lopes do Banco Central.Fim do caso Clóvis Carvalho destravou pauta, que ficou presa um mês por falta de confiança do governo em sua base de sustentação
Arquivo FolhaPIVÔDemissão de Clóvis Carvalho pelo presidente FHC é considerada decisiva para a imagem do governo no Congresso





