Câmara doa oito terrenos; para Idel, não há limites
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A Câmara de Vereadores de Londrina aprovou ontem em segunda e última discussão oito projetos de lei do Executivo que doam áreas do Município à exceção de uma delas, feita ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) à iniciativa privada. Um dos casos que rendeu maior controvérsia, nos bastidores, foi a doação de um terreno de 1.800 m2 à Indústria e Comércio de Madeiras Britoni Ltda., beneficiada com o terceiro terreno em pouco mais de dois anos da atual gestão. Além do lote de 1.800 m2 de ontem, avaliado em R$ 55,6 mil, o mesmo grupo já recebera, em maio de 2006, terreno de 1.817,25 m2, e, em dezembro do ano passado, mais 1.800 m2.
Entre as empresas beneficiadas na sessão de ontem, e que já haviam recebido áreas públicas da Prefeitura, em anos anteriores, está a Hayama Indústria e Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda. no caso, recebeu o mesmo lote de 10.724,75m2 que já havia recebido em maio de 2004, mas não teve tempo de conclusão das obras. Do mesmo grupo, a Hayamax Distribuidora de Produtos Eletrônicos Ltda. também ganhou terreno, e também na Gleba Lindóia área, porém, de 33.274 m2. Em 2005, o casal de proprietários das duas empresas, beneficiado ainda com terreno para uma terceira empresa, foram investigados pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público (MP) no inquérito que apurava denúncias de irregularidades na contabilidade da campanha de reeleição de Nedson Micheleti (PT). O inquérito instaurado à época apurava suposta relação entre doação de área aos empresários e a doação de R$ 10 mil para a campanha de Nedson.
Ainda que sem doação de terreno, quem saiu com resultado positivo do plenário na sessão de ontem foi a empresa Fundição Metal Laite Ltda. Graças ao projeto do vereador Roberto Fu (PDT), o grupo viu prorrogado por mais dois anos o prazo para construção das instalações no terreno de 2.500 m2 doado em dezembro de 2007. Segundo o Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Idel), o que atrasou as obras foi a liberação do licenciamento ambiental. Presente à sessão, a proprietária da empresa, Maria Antonia Assofra, contudo, disse que o atraso tem outro motivo: Na verdade, a Prefeitura nos tinha doado em uma área cujo zoneamento não permitia à empresa se instalar.
Sobre as re-doações, o presidente do Idel, Mauro Viecili, admitiu: uma vez demonstrado o interesse pelo empresário, não há limites para doações. Se aquela área pretendida não serve para nada, dôo. Senão, Cambé, por exemplo, oferece um terreno e o empresário vai embora levando empregos e arrecadação de impostos, disse, referindo-se à Britoni. E o empresário está se expandindo, exportando pallets e madeiras laminadas, precisa de mais espaço, completou. Então, por que não participar de concorrência pública, como defende o MP, nesses casos, e pagar pelo terreno? A concorrência é muito mais complicada e quanto tempo demoraria?, questionou, em tom de indignação. Voto de abstenção nos projetos, Marcelo Belinati (PP) criticou: O prefeito ainda se desfaz dessas áreas como se fossem dele, particulares.
O Idel prevê para semana que vem mais quatro doações a empresários. O presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), estima que, além das duas sessões ordinárias que restam, serão necessárias mais quatro sessões extraordinárias para limpar a pauta.


