O presidente da Câmara de Curitiba, João Cláudio Derosso (PFL), disse ontem que não deverá ser aberto qualquer tipo de procedimento investigatório ou disciplinar contra o vereador reeleito Custódio da Silva (sem partido) até que a Justiça se manifeste sobre as denúncias de peculato (desvio de dinheiro público) e improbidade administrativa que pesam contra ele. O caso começou a ser apurado em abril, quando ex-funcionários do vereador apresentaram documentos que comprovariam que ele retinha parte dos salários dos comissionados. Além de Custódio, o Ministério Público (MP) investiga mais quatro vereadores.
Durante as investigações, que estão sendo feitas pela Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público, foram constatadas, no caso de Custódio, também irregularidades no uso da verba de assistência social. Pelos cálculos do MP, o vereador teria causado prejuízos de R$ 3 milhões aos cofres públicos entre 1993 e 1999.
‘‘Quando fomos comunicados deste suposto desvio, abrimos uma investigação preliminar, que foi arquivada por falta de provas’’, destacou Derosso. ‘‘Agora só tomaremos qualquer atitude depois que a Justiça condenar o vereador.’’
Derosso disse que, apesar de não ter aberto qualquer tipo de comissão especial ou parlamentar de investigação, está auxiliando no trabalho de coleta de dados do MP .‘‘Estamos prestando todas as informações requisitadas, com a maior transparência possível.’’
Entre os documentos que foram enviados estão listagem de pessoas que passaram pelo gabinete do parlamentar, contra-cheques de todos os funcionários e datas de nomeação e exoneração. Custódio está sendo investigado em dois processos criminais por peculato e deverá ser interrogado no dia 29, na 6ª Vara Criminal.