Da Redação
A Câmara de Vereadores de Cornélio Procópio inicia hoje seu período legislativo com a apresentação de dois projetos polêmicos - um deles propõe redução de 50% dos salários dos parlamentares e outro proíbe a contratação de parentes até o 3º grau no Executivo e Legislativo. Os dois projetos são de autoria do presidente da Câmara, Ruy Sampaio (PT). A sessão começa às 20 horas e deve levar representantes da comunidade à Câmara.
Sampaio diz que a difícil situação financeira do município motivou-o a propor a diminuição dos salários dos vereadores, hoje de R$ 2.300,00 brutos - R$ 2 mil mensais já descontado o Imposto de Renda. ‘‘Precisamos dar o exemplo’’, argumenta o vereador. Se o projeto for aprovado, ele calcula uma economia de R$ 15 mil a 18 mil por mês aos cofres públicos. Cornélio tem 15 vereadores. Ele diz que o município já economizou R$ 14 mil em dois meses com a suspensão do pagamento de oito assessores parlamentares. ‘‘Não havia necessidade deles aqui no recesso. Agora só devem ficar uns três’’.
Segundo o presidente da Câmara, o outro projeto que proibe contratações de parentes de até 3º grau no Legislativo e Executivo é baseado na lei orgânica do Judiciário Federal. ‘‘A idéia coibir o nepotismo, evitando que vereadores, secretários e prefeito façam nomeações de parentes’’, alega.
O vereador está mobilizando a opinião pública e convoca a comunidade para participar da sessão de hoje e da próxima, quando os projetos devem ir à primeira discussão. ‘‘Reconheço que os projetos são polêmicos’’, diz Sampaio. Ele estima ter grande resistência dos colegas em relação à redução salarial. Já o projeto contra o nepotismo, Sampaio acredita ter conquistado várias adesões: ‘‘Mas só a votação vai dizer’’. Um dos vereadores ouvidos pela Folha, Sílvio Cunha (PMDB) é favorável ao fim do nepotismo. Em relação à diminuição de salário, ele diz que o projeto é inconstitucional. ‘‘A atual legislatura só pode fixar os vencimentos da próxima’’, argumenta.

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