Câmara discute projeto antinepotismo
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terça-feira, 03 de abril de 2001
Maurício BorgesDe Ivaiporã 
A Câmara de Vereadores de Ivaiporã deverá discutir e votar nas próximas sessões um projeto que propõe a instituição de uma lei antinepotismo no município. A proposta, de autoria do vereador Cyro Fernandes Correa Júnior (PT), foi apresentada depois que surgiu a denúncia de que o prefeito Pedro Wilson Papin (PTB) teria empregado 12 parentes em cargos comissionados.
Outros dois cargos da administração municipal teriam sido destinados a parentes do vice-prefeito Célio Pereira, seis para familiares de diretores de departamentos e mais oito para parentes de três vereadores da bancada situacionista.
O projeto antinepotismo, que também leva a assinatura do vereador Luis Carlos de Oliveira (PSL), visa proibir a contratação de parentes do prefeito, vice-prefeito, diretores de departamentos e de vereadores, para cargos comissionados ou de regime estatutário no quadro de funcionários da prefeitura. A proposta veda ainda a contratação de parentes de senadores, deputados federais e estaduais, com domicílio eleitoral em Ivaiporã.
Cyro Júnior diz que o projeto é similar a um apresentado e derrubado em Ponta Grossa e a outro que foi aprovado e está começando a vigorar em Rolândia. Ele justifica que a proposta está amparada inclusive na Constituição Federal e em parecer de importantes juristas do País.
Para o vereador, o nepotismo é um expediente de imoralidade na administração pública, considerando que os parentes de detentores de altos cargos públicos acabam sendo privilegiados em relação aos demais cidadãos. Para mim essa prática contraria o preceito da igualdade de todos perante a lei, num país onde impera a pior distribuição de renda no mundo, premiando a injustiça social, argumentou.
O projeto de lei foi protocolado na sexta-feira, mas deixou de ser incluído na pauta da sessão de anteontem, à noite, quando deveria ter sido lido em plenário. O presidente da Câmara, Benedito Vieira da Silva (PTB), não compareceu alegando problema de saúde e a sessão foi dirigida pelo vice, Antônio Vila Real (PFL). Ele justificou que trabalhou com a pauta deixada pelo titular e esse projeto não estava incluído.
Cyro Júnior e Oliveira também são autores de um pedido de informação destinado ao prefeito, no qual solicitam a relação de funcionários estatutários e comissionados. Numa lista extra-oficial, distribuída ontem à imprensa pelo diretório do PT constam os nomes de 28 pessoas que seriam parentes do prefeito, vice-prefeito, diretores de departamentos e vereadores da situação. Cyro Júnior explicou que alguns nomes só poderão ser confirmados a partir do momento em que o prefeito atender ao pedido de informação.
Por força do Regimento Interno da Câmara, os vereadores Hélio Cruz Leão, Éder Bueno (ambos do PTB) e Antônio Vila Real (PFL) estão impedidos de participar da votação do projeto antinepotismo. Cyro Júnior explicou que eles seriam parte interessada no tema, já que têm parentes empregados na prefeitura.


