Câmara discute presença da GM em atividades escolares em Londrina
Projeto de lei tramita na forma de substitutivo apresentado pela Comissão de Justiça, que retira obrigatoriedade prevista no texto original
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terça-feira, 18 de agosto de 2026
Projeto de lei tramita na forma de substitutivo apresentado pela Comissão de Justiça, que retira obrigatoriedade prevista no texto original

Os vereadores de Londrina votam, na sessão desta terça-feira (18), o PL (Projeto de Lei) 323/2025, que trata da presença de agentes da GM (Guarda Municipal) em atividades escolares externas, como práticas de educação física e atividades recreativas, culturais, pedagógicas ou extracurriculares. A matéria tramita na forma de um substitutivo, que retira a obrigatoriedade da presença do agente e prevê que as atividades poderão contar com o apoio da GM, mediante solicitação prévia e conforme a disponibilidade operacional da corporação.
O texto vem tramitando na CML (Câmara Municipal de Londrina) desde outubro de 2025 e recebeu sugestões de diferentes órgãos e conselhos municipais. A Secretaria Municipal de Educação afirmou que as escolas têm por hábito solicitar apoio da GM para ações externas e que o projeto tende a fortalecer e consolidar uma prática já existente no cotidiano escolar.
A Secretaria Municipal de Defesa Social destacou que esse tipo de apoio já é prestado pela GM, conforme as demandas encaminhadas pela Educação e a disponibilidade do efetivo. A pasta, no entanto, alertou que a obrigatoriedade prevista no texto original poderia reduzir a capacidade de atendimento em outras frentes e comprometer a flexibilidade necessária para respostas emergenciais. Segundo o parecer, o efetivo atual da corporação está defasado e, com a destinação obrigatória de guardas para determinadas atividades escolares, outras unidades poderiam ficar sem atendimento e policiamento.
O Conselho Municipal de Educação, por sua vez, entendeu que tornar obrigatória a presença poderia restringir a realização de atividades, uma vez que há limitação de efetivo da GM. Outro apontamento é o risco de “securitização” excessiva do cotidiano escolar.
“A presença constante de agentes de segurança uniformizados em toda saída, se não for articulada a uma formação consistente em direitos humanos e cultura de paz, pode reforçar a percepção de perigo permanente, projetando sobre a figura do estudante – especialmente em territórios vulnerabilizados – uma suspeita difusa”, diz o parecer do conselho.
O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente se manifestou de forma semelhante, sugerindo a substituição da obrigatoriedade da presença da GM pela possibilidade de solicitação formal, quando necessária.
O substitutivo traz justamente essa alteração e passa a tratar do “apoio da Guarda Municipal às atividades externas” realizadas pelas escolas municipais. Pela nova redação, a solicitação poderá ser feita pela própria unidade escolar ou pela Secretaria Municipal de Educação, e o atendimento dependerá da disponibilidade operacional da GM. As escolas também deverão informar, com pelo menos três dias de antecedência, o local, o horário, a duração e o número estimado de participantes da atividade.
“A redação proposta harmoniza a iniciativa legislativa com as manifestações técnicas apresentadas durante a tramitação da matéria, especialmente quanto à necessidade de preservação da autonomia administrativa do Poder Executivo e da gestão operacional da Guarda Municipal, sem prejuízo da implementação de política pública voltada à proteção da comunidade escolar”, diz a justificativa do texto.
O vereador Matheus Thum (PP), autor do projeto, ressaltou que a proposta é importante para trazer mais segurança às famílias londrinenses. “Temos muitas escolas, por exemplo, em que a educação física é feita na parte externa da escola, o que coloca, querendo ou não, mesmo que nunca tenhamos tido nenhum imprevisto na cidade em relação a isso, as nossas crianças em risco”, pontuou.
Thum também afirmou que, muitas vezes, o professor acaba tendo de se preocupar com a atividade pedagógica e, ao mesmo tempo, com a segurança dos alunos. “Quem tem que fazer isso é um agente preparado para isso, que tem esse olhar de segurança.”


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.


