Câmara discute amanhã destino de Barros
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A resposta à sociedade que a Câmara de Londrina espera dar sobre as denúncias de concussão e formação de quadrilha, contra cinco vereadores, veio rápida e incisiva - mas em relação a apenas um deles. A partir de amanhã, o Plenário, inclusive quatro dos acusados, começa a analisar o pedido de cassação formulado por um eleitor e que pode, ainda este semestre, definir o futuro político do vereador Henrique Barros (PMDB), até agora único denunciado pelo Ministério Público (MP) mediante provas materiais e confissão parcial. O debate sobre admissão ou não da denúncia formalizada aos edis pela Mesa Executiva começa amanhã, às 10 horas, em sessão extraordinária de caráter especial, e pode resultar, no sábado, na instauração de uma Comissão Processante (CP).
Ontem, a Comissão de Ética da Casa definiu a relatoria da investigação sobre Barros mais os vereadores Orlando Bonilha (PR), Osvaldo Bergamin (PMDB), Renato Araújo (PP) e Flávio Vedoato (PSC). A tarefa ficou a cargo do corregedor do grupo, Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), escolhido entre o presidente Roberto Kanashiro (PSDB) e o vice em exercício, Lourival Germano (PT).
Após a definição, a Comissão decidiu encaminhar à Mesa a denúncia que pede cassação do mandato de Barros, apresentada semana passada por um microempresário. Os quatro vereadores restantes serão investigados ao longo de 60 dias, uma vez que, segundo o presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), eles constam de uma representação - apresentada por um produtor cultural -, etapa anterior à denúncia propriamente dita.
Ontem, a Mesa acatou a denúncia apresentada pela Comissão de Ética e já deu início à convocação dos vereadores para aquela que deve ser a primeira das sessões extraordinárias que tratarão do destino de Barros. Nela, e à exceção do denunciado, os agentes terão de analisar se admitem a indicação da comissão e instauram a CP, cujo prazo máximo de conclusão dos trabalhos é 90 dias. Pelo Código de Ética da Casa, a iniciativa é acatada mediante voto favorável da maioria dos presentes; admitida a denúncia e instituída a CP, por sorteio de três vereadores desimpedidos de participar dela, eles têm até cinco dias para iniciar os trabalhos.
O relator do caso atribuiu à materialidade de provas apenas contra Barros a agilidade da análise. ''A denúncia do MP contra o Henrique veio totalmente embasada em fatos, fotos, documentos; contra os outros quatro não há nada de concreto: tem apenas o depoimento do Henrique os incriminando'', disse Tamarozzi, referindo-se ao fato de Barros ter dito aos promotores que os quatro edis, liderados por Bonilha, repartiriam entre si o dinheiro oriundo de propina cobrada de empresários. ''Vamos apurar ao longo desses 60 dias e ouvir os vereadores, os empresários, a Promotoria, pois o que temos são três linhas do depoimento os acusando. É muito simples essa declaração para dizer se alguém é culpado ou inocente'', atestou o relator, para quem a denúncia contra um vereador ''dá uma resposta rápida à sociedade''.
Questionado se a agilidade do processo contra Barros poderia ser encarada, pela sociedade, como uma forma de a Câmara punir rapidamente o vereador que até agora tem situação mais delicada - o que poderia atrapalhar, por exemplo, a pretensão de reeleição dos pré-candidatos -, o presidente da Câmara refutou a hipótese.
''O fato é que o rito da denúncia é um, e o da representação é outro. Não vamos crucificar nem poupar ninguém, mas sim, agir com base nas leis pertinentes ao caso. Vai da isenção da mídia a sociedade entender (sob um viés ou outro), pois nos são cobradas transparência e agilidade'', encerrou.


