O plenário da Câmara dos Deputados deverá votar somente em agosto o processo de cassação do mandato de José Janene (PP-PR). O deputado é acusado de ser o beneficiário de R$ 4,1 milhões do chamado ''valerioduto''. Ontem, o recurso protocolado por Janene na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) contra a decisão do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar - que recomenda a cassação - foi distribuído ao deputado gaúcho Mendes Ribeiro Filho (PMDB).
Segundo a assessoria da CCJ, Ribeiro Filho deverá apresentar o relatório do recurso para votação em plenário na próxima quarta-feira, seis dias antes do recesso parlamentar. Caso algum deputado peça vista do processo, será concedido o prazo de mais duas sessões, o que empurraria a votação do plenário sobre o futuro político de Janene para a primeira semana de agosto, quando será realizado o chamado ''esforço concentrado'' de votação na Câmara.
Conforme a Folha apurou, o recurso apresentado por Janene pede a anulação da decisão do Conselho de Ética aprovada no dia 13 de junho, com 12 votos favoráveis alegando que o deputado teve o direito de defesa prejudicado em razão do delicado estado de saúde, que não teria permitido inclusive o contato do parlamentar com seus advogados. O deputado estava afastado do cargo desde setembro de 2005 devido uma doença cardíaca e, apesar de várias vezes intimado a depor, não prestou esclarecimentos ao conselho. Os advogados também argumentam que algumas testemunhas arroladas pela defesa não teriam sido intimadas.
De acordo com as investigações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, o dinheiro teria sido sacado pelo assessor de Janene, João Cláudio Genu, das contas do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza. O dinheiro teria sido utilizado para o pagamento de um advogado que defenderia um integrante da bancada do PP.

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