Câmara deverá poupar vereadores
A Comissão de Justiça (CJ) da Câmara de Londrina divulgou ontem os pareceres sobre os pedidos de cassação contra os vereadores Jaci Aguiar (PPB) e Elza Correia (PMDB). Como já era esperado, a comissão sugere ao plenário que arquive os dois casos.
A acusação contra Elza Correia foi feita no dia 2 deste mês, por Márcio André Sanches. Ele alegou que em 1996 ocupou cargo comissionado na Secretaria Especial da Mulher, época em que a vereadora estava à frente daquela pasta. Sanches afirmou que era obrigado a entregar R$ 1 mil mensais à vereadora, sob pena de ser exonerado do cargo. Ambos eram do PC do B.
A CJ entendeu que o caso não poderia prosseguir porque a iniciativa partiu de um munícipe segundo a Constituição Federal, a Lei Orgânica do Município e o Regimento Interno, denúncia contra vereador só pode ser apresentada pela Mesa Executiva ou partido político com representação na Câmara.
Além disso, membros da comissão argumentam que a denúncia não poderia prosperar porque os fatos denunciados ocorreram antes de a vereadora ter sido empossada. Como tal, não se pode falar em falta de decoro parlamentar de que, à epoca dos fatos, ainda não possuía mandato, diz trecho do parecer.
Elza Correia disse que não poderia esperar outra decisão da CJ. O plenário, com certeza vai decidir pelo arquivamento, afirmou. Ele foi visivelmente um instrumento para desviar a atenção do que está acontecendo na cidade, argumentou, referindo-se às irregularidades na administração municipal a vereadora é uma das principais denunciantes.
Sanches, que já havia sido expulso do PC do B por má conduta, sofreu nova derrota no início do mês. Ele estava filiado ao PT, mas durante a pré-convenção do partido, no dia 6, foi também expulso. O tiro, literalmente, saiu pela culatra, observou a vereadora.
No caso de Aguiar, a argumentação da CJ é que a denúncia também foi feita por munícipes e, portanto, é ilegítima. O pedido de cassação contra o vereador foi protocolado no dia 4 de maio, pelo comerciante Edson do Nascimento, o empresário Reinaldo Araújo e o médico Elson Noris.
Eles argumentam que o vereador cometeu ato de improbidade por estar envolvido na suposta tentativa de extorsão contra o prefeito Antonio Belinati (PFL). O prefeito acusou o vereador desta tentativa, afirmando que ele teria pedido R$ 100 mil ou R$ 200 mil para barrar uma Comissão Processante. Os três lembram ainda que Aguiar é reicindente, já que está envolvido também no caso que ficou conhecido como Escândalo do Leite. O vereador responde a ação na Justiça sobre uma tentativa de extorsão a cooperativas de leite da região.
Ontem também aconteceu a reunião dos membros da Comissão Especial de Inquérito (CEI) do caso AMA-Comurb. Eles decidiram que irão convocar o empresário de Curitiba, Ivano Abdo e o ex-diretor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Juan Monastério. Os depoimentos estão marcados para o dia 17, a partir das 14 horas.
O presidente da CEI, Antenor Ribeiro (PPB), disse que a CEI irá reconvocar o empresário José Cláudio Menna Barreto, cujo depoimento estava marcado para ontem. O empresário alegou que tinha outro compromisso e que todos os esclarecimentos já foram feitos ao Ministério Público. (L.O.)





