Levantamento indicava ontem que plenário já tinha 33 votos necessários para a instalação da Comissão que pode cassar prefeito de São Paulo

Marcus Lopes
e Robério Panda
Agência Estado
De São Paulo
O plenário da Câmara de São Paulo deve votar hoje o pedido de abertura de Comissão Processante (CP) contra o prefeito Celso Pitta (PTN), mas até ontem à noite muitos vereadores mantinham-se indefinidos, como os da bancada do PMDB. Os apelos dos diretórios municipal e estadual do partido para o voto a favor do impeachment não surtiram efeito.
Outro partido que ainda está indefinido é o PTB, que ensaiou um recuo na tarde de ontem. Ontem à noite, os peemedebistas iriam reunir-se novamente com a direção do partido, quando o assunto seria novamente discutido. A aprovação do pedido de CP contra Pitta depende de 33 dos 55 votos em plenário. Em levantamento feito pela reportagem, 35 vereadores afirmaram que votarão a favor da CP.
‘‘A reunião é para que haja uma união na hora do voto’’, disse o vereador Milton Leite (PMDB), sobre o encontro de ontem. Poucos integrantes, porém, acreditam que a orientação do partido seja seguida por toda a bancada. Um integrante da legenda que pediu para não ser identificado afirmou que os parlamentares estão recebendo dois tipos de pressão: do partido, para o voto favorável à comissão, e da prefeitura, com o objetivo de o processo ser arquivado.
Desde que a comissão especial emitiu parecer favorável à abertura da CP, na semana passada, o PMDB tornou-se o fiel da balança na decisão em plenário sobre o futuro de Pitta. Logo depois da aprovação do relatório, os articuladores políticos do Palácio das Indústrias começaram a se movimentar para evitar a vitória da oposição. Segundo um importante vereador da bancada governista com trânsito no Palácio das Indústrias, o prefeito acionou os três secretários municipais do PMDB para tentar convencer os parlamentares a votar contra a abertura da CP.
Os secretários dos Transportes, Getúlio Hanashiro, de Assistência Social, Alda Marco Antonio, e de Serviços e Obras, João Octaviano de Machado Neto, tentariam convencer os vereadores a votar contra o relatório da oposição e garantir a vitória de Pitta na Câmara. O palácio nega a informação.
‘‘Não vai adiantar nada, pois meu voto é o mesmo’’, afirmou Leite, um dos favoráveis à abertura do processo de impeachment. Ontem, integrantes do partido fizeram várias reuniões para discutir a divisão da bancada. Além do PMDB, o secretário de Governo, Carlos Augusto Meinberg, também tenta convencer os indecisos a mudar de posição.
Segundo apurou a reportagem, o secretário Meiberg vem conversando individualmente com os vereadores. Ontem, vereadores da bancada governista foram vistos no prefeitura, de manhã. O líder do partido na Câmara, José Amorim, disse que não iria revelar o voto. Até a semana passada, Amorim dizia-se favorável a abertura da comissão. Ele afirmara que, se fosse da executiva do partido, iria liberar o voto da bancada. ‘‘Só vou revelar minha posição na hora da votação’’, disse. Para Amorim, o vereador Alan Lopes (PTB), que até ontem estava indeciso, deverá votar favorável. ‘‘Creio que ele seguirá a orientação do partido’’, contou.
O prefeito Celso Pitta disse ontem estar confiante em sua vitória hoje. Ele passou o dia de ontem na prefeitura recebendo líderes da bancada governista. O prefeito aposta na aprovação do relatório do vereador Brasil Vita, seu líder na Câmara, contrário à abertura do processo. ‘‘O relatório está muito bem fundamentado, é por meio dele que estamos tentando convencer os parlamentares’’, disse. ‘‘Não tenho o que temer. Essas denúncias são infundadas.’’ O prefeito não quis fazer comentários sobre o possível apoio do PMDB. ‘‘Vamos esperar amanhã (hoje) para ver a posição dos vereadores.’’ Ele classificou a posição da OAB como uma maldade com ele e contra a cidade.

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